Título
O ensino formal na Ilha de Bubaque (Guiné-Bissau): contribuições da educação ambiental em perspectiva crítica na transformação socioambiental local
Essa pesquisa parte da realidade cotidiana da educação formal de uma escola da Ilha de Bubaque (Guiné-Bissau) e consiste em um estudo de caso de enfoque qualitativo e natureza descritiva interpretativa. A partir da questão norteadora “De que maneira a Educação Ambiental pode contribuir para a construção de um caminho de transformação socioambiental em Bubaque através da escola local que promova, ao longo dos anos, sentimento de responsabilidade e pertencimento que resultem em preservação dos recursos naturais e autonomia socioeconômica da comunidade?”, emergiram novos questionamentos que se desdobraram nos objetivos geral e específicos. O objetivo geral visa apontar as possíveis contribuições da Educação Ambiental articulada à educação formal na ilha de Bubaque (Guiné-Bissau) para a construção de um caminho de protagonismo comunitário local. Os objetivos específicos, são: i) Caracterizar o ensino formal na ilha de Bubaque trazendo a importância da escola para o contexto local; ii) Identificar junto aos docentes atuantes na escola local de Bubaque se há práticas pedagógicas de Educação Ambiental na escola e de que maneira se dão essas práticas; iii) Refletir sobre os desafios enfrentados pela escola no que tange a implementação da Educação Ambiental na escola junto à comunidade insular de Bubaque. As ferramentas metodológicas escolhidas, foram: análise documental, questionários e entrevistas semiestruturadas para a coleta dos dados. Para a análise, interpretação dos dados e descrição do fenômeno, foi realizada análise a partir da Educação Ambiental em perspectiva crítica e do Pensamento Complexo como aportes teórico-metodológicos. A análise documental se deu por revisão documental e bibliográfica para levantamento de legislações, decretos e demais documentos que fornecessem informações sólidas quanto à educação formal de Guiné-Bissau e a contemplação (ou não) da Educação Ambiental no currículo educacional, bem como o para composição do recorte contextual educacional formal local. Os questionários foram aplicados a 11 docentes voluntários participantes, com o intuito de compreender como os profissionais da escola de Bubaque entendem a Educação Ambiental e como (e se) a Educação Ambiental se relaciona à sua prática diária, bem como identificar se há ações educativo-ambientais na escola e de que maneira ocorrem. Devido ao quadro pandêmico mundial do COVID-19, os questionários foram enviados via e-mail, aplicados pela direção da escola e devolvidos via WhatsApp em formato de registro fotográfico. A entrevista semiestruturada foi realizada com a diretora da escola pessoalmente em 2022, quando esteve em visita ao Brasil. Principais resultados: A construção do capítulo Reconhecimento da Realidade compreende à contextualização geográfica, histórica, social e educacional de Guiné-Bissau, do Arquipélago dos Bijagós e da escola-alvo, denotando a relevância substancial da escola nesse contexto. Reconheceram-se práticas de Educação Ambiental na escola, tanto cotidianas quanto evento específico. Estas carecem de realinhamento, suporte e capacitação dos órgãos competentes. Há estreita relação dos problemas socioambientais e geopolíticos com as vulnerabilidades que afetam o sistema educativo. Os maiores desafios para implementação da Educação Ambiental se expressam no descaso do poder público, na falta de infraestrutura e saneamento básico e falta de incentivo e suporte necessários.