Título

Saberes ancestrais sobre o uso ritualístico e medicinal de flores no Candomblé da Nação Angola e na Umbanda

Programa Pós-graduação
Ensino de Ciências, Ambiente e Sociedade
Nome do(a) autor(a)
Thais Salatiel de Azevedo
Nome do(a) orientador(a)
Ana Angelica Monteiro de Barros
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Estima-se que a diáspora africana forçada tenha trazido em torno de 4,9 milhões escravizados de diferentes etnias para o Brasil. Dentre esses, grande parte são provenientes do povo Banto. Assim, quando se faz alusão ao Candomblé da Nação Angola, aquele de origem na cultura Banto, automaticamente se faz referência ao culto aos Minkisi. Neste Candomblé, o sincretismo religioso se fez presente de modo diferente dos demais povos diaspóricos. Além do culto aos Minkisi, a Nação Angola cultua também os seus antepassados e os Caboclos, os donos da terra. A partir dessa condição, o Candomblé de Angola foi o primeiro a se sincretizar, abrindo as portas para as divindades que posteriormente iriam se manifestar na Umbanda. Descendentes de diversos povos africanos propagaram suas crenças, tradições religiosas e o rico conhecimento sobre as plantas herdado de seus ancestrais. As flores
também fazem parte desse universo, onde inúmeras espécies foram testadas por curandeiros e feiticeiros, de acordo com suas propriedades medicinais e ritualísticas. Dessa forma, o objetivo deste estudo é investigar o saber popular sobre uso medicinal e ritualístico das flores na Umbanda e no Candomblé da Nação Angola, com vistas a entender a correlação histórica que une essas duas religiões e catalogar as espécies de flores que são utilizadas nos terreiros. Foi adotada como estratégia a pesquisa-ação, na qual foram entrevistados os dirigentes do
terreiro de Candomblé Tumba Junsara Petit e da Casa de Caridade Caboclas Jurema e Jupira. Nas religiões de matriz africana é dado maior destaque para as folhas no culto e na medicina religiosa. As flores também são usadas, mas suas funções são pouco exploradas. O uso medicinal das flores é mais restrito que o ritualístico. É preciso considerar também que para as afro-religiões o caráter medicinal não se aplica apenas ao plano físico, mas também ao espiritual. Assim, as flores assumem um aspecto simbólico nesse processo de cura, condensando as energias emanadas pelas divindades, principalmente Kavungo, aquele que protege a humanidade contra os males e cura suas feridas. As flores funcionam harmonizando o ambiente com suas cores e perfumes, concentrando as forças das divindades e promovendo simbolicamente sua conexão com os iniciados nas religiões em foco. Apesar da Umbanda
estar relacionada em sua gênese com o Candomblé da Nação Angola, esta ampliou mais o uso ritualístico das flores. Incorporou ao culto, tanto espécies nativas, quanto exóticas que são comercializadas como ornamentais, de uma forma geral, e fáceis de serem adquiridas.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
09/12/2024