Título
Processos de subjetivação e educação ambiental: experiências de si e de infância a partir de documentário sobre a (re)-xistência de crianças em lixões no Brasil
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa documental acerca dos processos de subjetivação de crianças que trabalham e vivem em lixões, desde o paradigma da educação ambiental. Tal estudo está vinculado à linha de pesquisa de Educação, Cultura e Dinâmicas Sociais do Mestrado em Educação da FURB. Esta pesquisa recorta, como objeto, os conteúdos das imagens presentes no documentário Infância Roubada. A escolha por tal objeto busca identificar peculiaridades de um percurso ambiental e socioeconômico que exprime um retrato de infância particularizado e sua correlação com os processos de subjetivação. O método utilizado procurou caracterizar a realidade vivenciada nos lixões, em seus aspectos socioambientais e econômicos. Foi realizada uma análise documental das entrevistas efetivadas no documentário, juntamente com as suas imagens. Os resultados aferidos no documentário demonstram um espaço social, no qual a constituição de si reflete a emergência de diversos modos de estratificação social, pelos quais a infância deve ser encarada como uma condição perfilada pela interseccionalidade. Os graves problemas enfrentados por crianças e jovens que trabalham nos lixões, apresentam-se como uma realidade cruel de uma exceção geracional. Conclui-se que os ambientes vivenciados na infância, nos espaços em que as crianças estão compreendidas, as diferem e impactam nos processos de subjetivação. Além disso, observa-se a importância da intervenção estatal para a proteção integral e garantia dos direitos da criança e do adolescente, com a finalidade de favorecê-la ao desenvolvimento intelectual, social e cultural. Dessa forma, deve-se privilegiar a garantia dos direitos sociais preconizados constitucionalmente, especialmente o direito à educação, propiciando um aprendizado multidisciplinar que englobe a Educação Ambiental.