Título
Práticas escolares de educação em redução de riscos e desastres socioambientais
Cada vez mais, nossa sociedade brasileira enfrenta os impactos gerados pela ocorrência dos desastres socioambientais como inundações, deslizamentos de terra, secas e incêndios florestais. Neste contexto, a educação representa um componente estratégico para contribuir na criação de uma cultura de prevenção de riscos e desastres e na consolidação de sociedades sustentáveis e resilientes. Partindo de referenciais de Educação Ambiental Crítica, esta tese teve o objetivo de analisar o panorama das iniciativas escolares sobre educação em redução de risco e desastres (ERRD), inscritas na Campanha #AprenderParaPrevenir, uma iniciativa pioneira coordenada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A metodologia integradora foi pautada em referenciais metodológicos de análise de complexidade e de conteúdo. Caracterizamos um conjunto de documentos sobre as práticas das quatro primeiras edições (2016 - 2019), o perfil das 238 comunidades escolares, seus territórios, os desastres e seus níveis escalares e as abordagens didáticas adotadas nessas práticas. A partir de 10 entrevistas semiestruturadas com instituições que participaram em mais de uma das edições, identificamos os processos formativos das comunidades de aprendizagem em ERRD. As práticas de ERRD foram desenvolvidas em escolas de 20 estados e no Distrito Federal, de todos os níveis de ensino, sendo a maioria delas públicas. Os desastres mais trabalhados foram os hidrológicos – inundação e os geológicos – deslizamento de terra, abordados em todos as dimensões escalares, com predominância do nível Micro, ou seja, contextualizados com a realidade socioambiental da escola, bairro e município. Identificamos uma diversidade de modalidades didáticas desenvolvidas desde uma perspectiva mais tradicional - Expositiva até outras mais inovadoras - Investigativa e Cidadã. Análises dessas abordagens motivaram a construção de uma representação mais flexível e dinâmica - a mandala de ERRD, que pode assumir um papel no planejamento, monitoramento e avaliação. Muitas dessas práticas foram materializadas a partir das parcerias estabelecidas dentro da escola e/ou com instituições atuantes no campo de riscos e desastres e a comunidade local. Essas diversas esferas de comunidades de aprendizagem em ERRD proporcionaram trocas de saberes e vivências que contribuem na criação da cultura de proteção e redução de riscos e desastres no país. Ainda que alguns limites ainda permaneçam, como o questionamento dos fatores geradores dos desastres, a participação mais direta e ativa das/os estudantes e a formalização da ERRD, a facilitação dessas práticas com todos os públicos escolares e em todos os níveis de ensino, evidencia a potência, criatividade e adaptação das/os professoras/es mobilizadoras/es no desenvolvimento de uma educação em tempos de riscos e desastres. Esperamos que os resultados desta caracterização nacional das práticas escolares em ERRD contidos neste documento indiquem possíveis caminhos para subsidiar a criação e o fortalecimento de políticas públicas, programas e projetos nessa temática recente e emergente.