Título

Em busca de sociedades sustentáveis: reflexões sobre interpretação ambiental em Unidades de Conservação de Proteção Integral, a partir do estudo do caso do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos/BA

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Gustavo Uchoa de Mello Affonso
Nome do(a) orientador(a)
Daniel Durante Pereira Alves
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A grave crise socioambiental que vivemos exige transformações estruturais na relação entre sociedade e natureza.
Este trabalho busca aprimorar o entendimento de uma ferramenta com grande potencial para contribuir para estas
transformações: a Interpretação Ambiental (IA) aplicada ao ecoturismo em Unidades de Conservação (UCs)
brasileiras de proteção integral. Com o objetivo geral de refletir sobre a pertinência dos planos de IA nas UCs de proteção integral no Brasil, foi analisado o Plano Interpretativo (PI) do Parque Nacional Marinho (PARNAMAR)
dos Abrolhos, Brasil, tendo em vista a transição para Sociedades Sustentáveis. Para isso, este estudo foi dividido em dois capítulos, na forma de artigos científicos. No primeiro, o objetivo foi investigar a importância da IA enquanto instrumento da educação ambiental (EA) crítica no ecoturismo em UCs, destacando o papel da
elaboração de PIs, no intuito de definir os critérios para analisar o PI do PARNAMAR dos Abrolhos. Através de
uma análise qualitativa de dados, realizou-se uma revisão de literatura, buscando o diálogo interdisciplinar entre
diversas perspectivas discursivas para compreender o paradigma da IA e EA no âmbito do ecoturismo em UCs.
Como resultado, percebe-se que, para os PIs potencializarem o ecoturismo como uma atividade de impacto
socioambiental positivo e transformador, eles precisam estar alinhados a princípios educadores ambientalistas, ou
seja, à EA crítica. No segundo capítulo, o objetivo foi fazer um diagnóstico qualitativo do caráter participativo do
processo de elaboração do PI do PARNAMAR dos Abrolhos, elaborado entre 2017 e 2018. Para tanto, foram
utilizadas três fontes de evidência para análise: documentação, observação assistemática, e entrevistas
semiestruturadas, realizadas no mês de abril de 2022. Dentre os entrevistados, estão servidores do ICMBio e
colaboradores locais representantes das treze instituições participantes da elaboração do PI. Os resultados mostram que: apesar dos participantes terem sido ouvidos, faltou melhor compreensão sobre IA; a quantidade de atividades foi pontual e insuficiente; e faltou também maior envolvimento das pessoas da comunidade no processo tempo. Além disso, constatou-se que a sensibilização obtida como resultado do processo foi pontual e efêmera. Portanto, nosso principal diagnóstico do caso é que, ao não vincular o PI a um caráter educativo mais profundo, conforme os princípios da EA crítica, perde-se oportunidade de estimular os participantes a questionar mais direta e profundamente certos valores e princípios da sociedade. Isso para contribuir para um esclarecimento e
engajamento maior dos sujeitos em transformações estruturais exigidas pela busca de soluções de problemas
ambientais atuais, na perspectiva da transição para sociedades sustentáveis.


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