Título
Ecologia de saberes: da decolonialidade à formação do sujeito ecológico no território quilombola Brejão dos Negros, Sergipe
Diante das inúmeras violências coloniais de bases epistêmicas, ontológicas e econômicas
originadas no paradigma da modernidade e que culminam na crise socioambiental, no
racismo (estrutural/ambiental), exploração, expropriação, desigualdade e fascismo social,
apagamento e desvalorização das histórias, saberes/conhecimentos, identidades,
cosmovisões tradicionais e dissociação entre o ser humano e natureza, compreender e tecer
caminhos a partir de um diagnóstico participativo e de uma Educação Ambiental
Crítica/Decolonial que auxilie na valorização e/ou construção de um ecossistema decolonial
para o bem viver nos territórios passa a ser o caminho para o estabelecimento de um ideal
ecológico, da interculturalidade, democracia e da justiça cognitiva e social. A pesquisa
desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional para Ensino das Ciências
Ambientais – PROFCIAMB, intitulada como “Ecologia de Saberes: da decolonialidade à
formação do sujeito ecológico no território quilombola Brejão dos Negros, Sergipe” teve
como participantes 29 pessoas das 30 vagas disponíveis para a faixa etária entre 12 e 80
anos da comunidade Santa Cruz, localizada no território quilombola Brejão dos Negros
(Brejo Grande - SE). Fiando toda metodologia a partir da aliança entre o Pós-
Estruturalismo, a Pesquisa-Ação e a Aprendizagem Baseada em Projetos, teve por objetivo
compreender as dinâmicas territoriais, saberes tradicionais e aspectos da
multifuncionalidade da agricultura camponesa da Comunidade Santa Cruz à luz da
decolonialidade e propor soluções ou propostas para os problemas, impactos e/ou injustiças
socioambientais, tendo como frutos o app EcoGuardiões da Comunidade e artefatos
produzidos pelos/pelas participantes. Observa-se na colcha de resultados que foi possível
auxiliar no processo de sensibilização/conscientização dos sujeitos e obter no processo de
aprendizagem e diagnóstico local desde a caracterização da área de estudo, as
especificidades socioambientais, produtivas, etnobotânicas e econômicas, até as carências
e potencialidades do Turismo de Base Comunitária, pertinentes à multifuncionalidade da
agricultura camponesa. Assim como indicar, idealizar e construir soluções ou propostas para
os problemas, impactos e/ou injustiças socioambientais, tendo como frutos, além do app, a
manifestação contra o racismo ambiental da ExxonMobil no território e um podcast voltado
ao debate e divulgação das potencialidades do Turismo de Base Comunitária e ao debate e
denúncia sobre ameaças e impactos socioambientais na região, sendo o primeiro episódio
com o foco no racismo ambiental da ExxonMobil.