Título
Visões da natureza e sua influência na educação ambiental nos livros didáticos e nas escolas João Pessoa 2023
Este trabalho, que se insere no âmbito da Educação Ambiental, teve como objetivo central
compreender de que modo e quais as diferenças sobre os temas de Ambiente constituem os
conteúdos objetos do conhecimento nas escolas públicas de nível médio em Campina Grande,
Paraíba. De forma mais específica, objetivaram-se: I. Analisar como a relação Homem-natureza
se manifesta nos livros didáticos; II. Identificar as vertentes antropocêntricas e biocêntricas na
abordagem e na inserção dos temas relacionados à Educação Ambiental; III. Compreender os
discursos dos docentes sobre Ambiente. O universo da pesquisa englobou seis escolas
estaduais de nível médio do município de Campina Grande. A pesquisa foi guiada pelas
seguintes etapas metodológicas: (1) levantamento bibliográfico, (2) pesquisa documental
bibliográfica nas escolas e (3) entrevista fenomenológica com docentes. A pesquisa
bibliográfica nas escolas foi realizada através da análise ecocrítica dos conteúdos dos livros
didáticos do ensino médio das disciplinas de Biologia, Geografia e Sociologia, cujo recorte
temporal de avaliação foi o Programa Nacional do Livro Didático de 2018, totalizando 27
livros. As entrevistas fenomenológicas foram realizadas em duas escolas, totalizando seis
participantes (dois de cada disciplina). As entrevistas foram gravadas, transcritas e, após isso,
analisadas. Os livros adotados a partir do Programa Nacional do Livro Didático de 2018, com
base na análise ecocrítica, apresentam uma linguagem ora antropocêntrica, ora biocêntrica,
mas a linguagem antropocêntrica prevalece na maioria dos manuais. Há uma perspectiva
tecnicista e ingênua de que a tecnologia, por si só, será capaz de resolver os problemas
socioambientais. Outro ponto relevante é o modo como o semiárido brasileiro é retratado nos
manuais, condicionando a região exclusivamente às condições edafoclimática. A respeito das
entrevistas fenomenológicas e da participação docente, faz-se necessário relembrar que na
fenomenologia não existe um “real” em si, mas o “real” enquanto vivido pelo sujeito. Quanto à
contribuição do livro didático em trabalhar os temas ambientais, os docentes pontuam três
entraves: fator tempo, ausência de conteúdos e falta de contextualização. Constatou-se que a
maioria deles realizou formação ambiental externa à escola, contudo consideram ter autonomia
para trabalhar outros temas ambientais que não os presentes nos livros didáticos. Defendeu-se,
portanto, a tese de que o conceito de Antropoceno pode ser uma narrativa promotora de
mudança, a partir da necessidade de substituir a visão binária e dualista que opõe Homemnatureza,
por meio da conexão destes no uso e aplicação em ações de educação e meio
ambiente, formando cidadãos que questionem a tecnologia produzida que deteriora os
ambientes, mas que também busquem utilizar outras tecnologias a seu favor, que reconheçam
que ciência, tecnologia e pesquisa podem juntas construir uma educação transformadora, de
uso justo do ambiente, possibilitando o usufruto deste pelas futuras gerações. Portanto, a
Educação Ambiental pode, através dessas alternativas, trazer ganhos mais significativos e
alinhados a uma sociedade totalmente informatizada como temos.