Título
Trilha ecológica interpretativa: da educação ambiental na amazônia à acessibilidade para pessoas com deficências
O bioma Amazônico possui um significativo valor biológico e socioambiental para o
mundo, abrigando grande diversidade de espécies da flora, da fauna e de
conhecimentos tradicionais de comunidades locais, por isso, as questões ambientais
devem ser trabalhadas de forma que as pessoas entendam a real importância da
preservação e conservação do meio ambiente. Entrando neste cenário, a Educação
Ambiental deve estimular a sensibilização, solidariedade, a igualdade e o respeito aos
direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as
culturas. A problemática da falta de acessibilidade em trilhas ecológicas para todas as
pessoas, incluindo as com deficiência (PcD), nos motivou a formularmos o presente
trabalho, que teve como objetivos: construir uma trilha ecológica interpretativa em uma
área de conservação no Sul da Amazônia, como instrumento de contato direto com a
natureza, garantindo a acessibilidade inclusive por parte de pessoas com deficiências,
sejam elas de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. A trilha foi aberta em
uma área de 500 hectares de mata nativa amazônica, localizada na área experimental
da Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira (CEPLAC) no município de
Alta Floresta, ao Sul da Amazônia Mato-grossense. A trilha seguiu os fundamentos e
planejamento de trilhas do ICMBio, classificando-a como “Trilha classe 5 (intervenção
alta), tendo adaptações ao longo do percurso, visando a acessibilidade e inclusão
social, além de momentos de interpretação na trilha, com o aguçamento dos cinco
sentidos. Para a coleta de dados, utilizamos como instrumento de pesquisa a
aplicação de questionários com questões abertas e fechadas. Realizamos 11 visitas,
atendendo 107 pessoas voluntárias, 81 pessoas sem deficiências (76%) e 26 pessoas
com deficiências (PcDs) (24%), as quais abrangem: Visual (cegos e baixa visão);
Auditiva (surdos); Física (cadeirante e baixa mobilidade); Intelectual e Transtorno do
Espectro Autista (TEA). Trazendo o foco para as principais perguntas, nos
questionários aplicados antes da visita, quando questionados se conheciam a floresta
de nossa região, 28% disseram que conheciam razoavelmente, 23% disseram
conhecer bem e 24% conheciam muito bem. E, 40% dos visitantes, disseram ter
conhecimento razoável sobre as plantas e animais da região e 28% disseram ter um
bom conhecimento a respeito da fauna e flora. E para os questionários aplicados
depois da visita, cerca de 68% dos voluntários disseram ser muito boa a conexão com
a natureza através da trilha e que serviu como uma eficiente ferramenta. Quanto a
experiência sobre acessibilidade e inclusão ao andarem na trilha, 13% das 26 pessoas
com deficiências (PcDs) disseram ter sido boa a experiência. Constatamos aprovação
dos visitantes por meio das análises das perguntas feitas a cada um deles. Logo, a
construção da trilha revelou ser um instrumento eficiente de contato direto com a
natureza, trazendo o foco dos conhecimentos da floresta amazônica, além de trazer à
tona a opinião das PcDs que, por muito tempo, foram excluídas de experiências dentro
de uma floresta. Por isso, acreditamos que nosso trabalho serviu como uma nova
prática educativa sob um viés pedagógico da inclusão e acessibilidade, servindo de
base para estudos futuros com trilhas deste modelo, sendo este estudo pioneiro na
região.