Título

Saberes tradicionais e educação ambiental: sinais de resistência no Candomblé do Povo Bantu em Minas Gerais

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Rodolfo de Oliveira Silva
Nome do(a) orientador(a)
Jose Eustaquio de Brito
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

A presente pesquisa teve como objetivo compreender e evidenciar o diálogo entre os Saberes
Tradicionais do Candomblé do Povo Bantu – cosmologia que cultua as energias da natureza
denominadas Mukixi (plural de Nkisi) –, especificamente no Nzo Atim Kaiango ua Mukongo
em Juatuba – MG, e a Educação Ambiental Crítica. Vale ressaltar que tal tradição sofre com a
constante desvalorização histórica desses saberes pertencentes a estes povos e comunidades
tradicionais ocasiona práticas de violências epistêmicas e raciais. Essas relações desiguais de
poder, iniciadas desde o Brasil Colônia, persistem até os dias atuais, reverberando nas formas
de educação produzidas ou reproduzidas, por exemplo, nas instituições escolares. Partindo da
possibilidade do ato de educar em uma perspectiva etnoecológica e para as relações étnicoraciais,
essa pesquisa se voltou para a reflexão sobre os potenciais dos saberes locais para um
ensino da Educação Ambiental Crítica pautado em uma educação antirracista, libertadora e
democrática.
Dessa forma, utilizando da metodologia de participação ativa na comunidade como estudo de
caso exploratório, em uma perspectiva etnográfica e por meio de observações de rituais,
vivências e experiências, realizando entrevistas com pessoas adeptas aos cultos desta
cosmovisão foi-se possível evidenciar a relação estreita e um diálogo entre Educação Ambiental
Crítica e a os Saberes Tradicionais do Candomblé do Povo Bantu, experimentados no Nzo Atim
Kaiango ua Mukongo, – pois, ao se buscar a valorização de uma pluralidade epistemológica
que reconheça as identidades, exemplificando-se processos de educação (escolar ou não)
presentes nesta casa de Candomblé e que são sinais de resistência – já que para os adeptos de
tal cosmovisão, sendo todos os Mukixi intimamente ligados ao ambiente, e à medida que se
destrói um elemento da natureza, causa-se uma reação em cadeia que pode ser considerada
como um castigo dos mesmos por tal violação, os seus princípios éticos e filosóficos contribuem
com a Educação Ambiental Crítica pois promovem uma consciência ambiental e o respeito por
uma prática sócio/cosmológica herdada pelos negros e negras africanos e afro-brasileiros (as).


Classificações

Contexto Educacional