Título
O meio ambiente na compreensão e interação dos indivíduos: as contribuições da educação ambiental crítica
A atual crise socioambiental é fundamentada nas relações de perda de pertencimento do ser humano à
natureza, afetando a complexidade dos problemas ambientais, vistas externamente à esfera humana.
Estudos apontam que pessoas estreitamente relacionadas à natureza podem desenvolver conhecimento,
sensibilização e atitudes necessárias para compreender o meio nas dimensões culturais, políticas, sociais,
econômicas e naturais. Estudos também demonstram o efeito das experiências vividas na infância na
aproximação dos seres humanos à natureza quando adulto. Assim, o objetivo da pesquisa foi: Analisar
a compreensão de estudantes de graduação com o meio ambiente e a interação com a natureza pela
perspectiva da educação ambiental. Para tal, foi necessário: Investigar como a compreensão de meio
ambiente de futuros profissionais da educação está relacionada às diferentes vertentes de educação
ambiental; Analisar como graduandos de cursos de diferentes áreas do conhecimento compreendem
meio ambiente e educação ambiental (EA) e quais fatores afetam as relações das pessoas com a natureza.
A pesquisa descritiva quanti-qualitativa envolveu 50 estudantes ingressantes e formandos de pedagogia
e quatro licenciaturas da Universidade Federal do Piauí (Artes visuais, educação física, ciências da
natureza e matemática) por entrevistas online com formulário semiestruturado, realizadas em fevereiro
de 2021. As perguntas abrangeram: experiências na infância com o campo, incentivo dos pais, contato
com a natureza na atualidade, fatores que motivam ou dificultam esse contato, compreensão sobre meio
ambiente e EA. A análise foi realizada por frequência relativa simples de respostas e análise de conteúdo.
Foi observado que a “orientação” (conhecimentos, sensibilização) é mais relevante que apenas a
“oportunidade” do contato direto com a natureza; as experiências na infância influenciam o
comportamento na fase adulta, mas também é possível mitigar o distanciamento quando adultos. O
contato desde a infância foi mantido ou intensificado por 96% da amostra na fase adulta. A análise por
período não demonstra diferenças expressivas na concepção predominante de meio ambiente e EA,
somente quanto à EA crítica e o meio ambiente socioambiental apresentados apenas por formandos,
revelando que a formação acadêmica pode estar contribuindo para a transformação do pensamento
crítico. A análise por curso revelou destaque na criticidade nos cursos de educação (Pedagogia) e
ciências humanas (Artes visuais), o que pode ser justificado pela diversidade de disciplinas com foco
social, cultural, histórico, econômico e político no currículo, pois contemplam mais dimensões da EA
que a abordagem conservacionista. Por fim, o contato com a natureza (pela orientação e oportunidade)
deve ser direcionado também pela abordagem crítica, que possibilita reconhecer o ser humano
pertencente à natureza.