Título
O efeito do uso do solo sobre os padrões de temperatura de superfície e umidade do ar na cidade de Juara-MT: uma Proposta para o Ensino
A colonização na Amazônia contribuiu para a substituição de áreas de floresta por áreas
urbanizadas, essa mudança na cobertura do solo tem grande influência no clima local. Neste
contexto elaboramos uma proposta pedagógica de educação ambiental crítica voltada para
elementos do clima, a partir da ocupação do solo. O objetivo foi desenvolver a educação
ambiental no contexto histórico da colonização do Vale do Rio Arinos, especificamente no
município de Juara - MT, realizando a transposição didática de saberes científicos sobre o
processo de ocupação e possíveis impactos ambientais no microclima. Para diálogos acerca da
educação ambiental recorremos a perspectiva crítica de Paulo Freire, retomando as construções
históricas como resultantes na emergência ambiental atual. Foi elaborado um produto técnico
tecnológico intitulado: Cartilha – Juara, História e Meio Ambiente, para ser utilizada por
estudantes da educação básica no estudo e compreensão das mudanças ambientais ocorridas no
município. Este material está dividido em duas partes, a primeira voltada para orientar os
professores a respeito do seu uso e a segunda parte voltada aos estudantes, sendo composto por
levantamento histórico bibliográfico e imagens orbitais que ilustram o processo de ocupação
do solo e fornecem dados meteorológicos dos anos de 1985 a 2020. Em junho e julho de 2021
realizamos a validação da cartilha com estudantes da educação básica, convidamos seis turmas
do ensino fundamental anos finais da rede estadual de ensino para utilizarem e validarem o
material. Nesta etapa recorremos a estratégia de ensino de Phillips 66, entretanto devido a
pandemia de Covid-19, não foi possível fazer uso da metodologia, e como alternativa
exploramos as tecnologias digitais de informação WhatsApp e Google Meet. A participação
esperada para validação era de 140 estudantes, mas obtivemos a colaboração de apenas 11. Para
avaliar a aprendizagem de maneira quantitativa foram aplicados testes pré e pós intervenção e
a partir destes dados utilizamos os testes de Ganho Normatizado (TGN) e Ganho absoluto (GA).
Em se tratando da análise qualitativa exploratória, optamos pela análise qualitativa das
respostas obtidas no pré e pós teste e posteriormente realizamos entrevistas do tipo padronizada.
No TGN e GA 55% dos estudantes obtiveram resultados igual a 0. Cerca de 27% dos estudantes
obtiveram resultados negativos, nos quais, os acertos no pré teste foram superiores ao pós teste,
18% obtiveram ganhos positivos. Os resultados quantitativos obtidos em TGN e GA, não
expressam a real aprendizagem dos estudantes e através da análise qualitativa das respostas
obtidas em ambos os testes foi possível ponderar algumas variáveis importantes que
contribuíram para esse resultado, dentre elas, a realidade vivenciada pelos estudantes em um
período pandêmico e as dificuldades econômicas, sociais e técnicas em acessar e manusear as
tecnologias digitais. Durante as entrevistas algumas respostas nos permitiram realizar análises
qualitativas de aprendizagens positivas ocorridas no processo de validação. Nossos resultados
abrem caminhos para discussões sobre educação ambiental crítica e seu papel na busca da
justiça ambiental e social, pois, o baixo índice de participação e acesso dos estudantes se dá
também pelo contexto socioambiental em que estão inseridos.