Título
BiodiversidArte: uma oficina dialógica sobre a participação de mamíferos silvestres em ciclos zoonóticos como estratégia educativa e promotora da saúde
As zoonoses representam cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes no mundo e estão relacionadas à diversas pandemias que assolaram a humanidade ao longo da história, sendo por isso um problema de saúde pública. A vida selvagem configura uma fonte de possíveis reservatórios zoonóticos, cuja as principais causas de seu surgimento estão relacionadas ao comportamento humano e as intensas modificações nos habitats naturais. Um dos grupos de animais que participam como potenciais reservatórios de diversas zoonoses provenientes do meio silvestre são os pequenos mamíferos silvestres. Muitos desses animais convivem com o ser humano e essa aproximação é um indicador de risco à saúde, aparentemente negligenciado. O ambiente, a fauna e os demais organismos que o habitam geralmente são vistos de forma dissociada da saúde humana. Logo, uma visão integrada desses elementos se faz necessária para compreensão de ciclos zoonóticos. A doença de Chagas (DC) é um exemplo da complexa rede de processos de inter-relação entre humanos, animais e o ambiente, que destaca a importância da compreensão da abordagem da saúde única (One Health) em seu enfrentamento. Sabe-se que populações de áreas endêmicas para DC estão expostas ao parasita Trypanosoma cruzi por vários fatores associados com essa inter-relação. Soma-se a isso, aspectos sociais que resultam em um papel relevante dos determinantes socioambientais da saúde na manutenção da DC. A partir disso, o objetivo geral desta pesquisa foi criar uma oficina dialógica como
estratégia educativa e promotora da saúde a partir dos conceitos de One Health e dos determinantes socioambientais da saúde, com o propósito de estimular o entendimento sobre a participação de mamíferos silvestres em ciclos zoonóticos, com foco na doença de Chagas. Além de ampliar a popularização da fauna de Pequenos Mamíferos Silvestres do Brasil. Esta pesquisa foi elaborada a partir de uma abordagem transdisciplinar entre Educação em Saúde e Educação Ambiental, à luz da pedagogia humanista de Paulo Freire. Esses pressupostos teóricos foram articulados através da criação de uma oficina dialógica em perspectiva cienciartística, aplicada no campo da educação não formal. A metodologia usada foi de abordagem quanti-qualitativa de cunho interpretativo e exploratório. O método foi pesquisa de campo, abrangendo as etapas de criação, teste, aplicação e análise da oficina realizada juntamente com o a exposição itinerante do Expresso Chagas XXI, em Minas Gerais, em julho de 2019. O público foi composto por moradores de regiões endêmicas da DC. Os dados foram coletados em entrevistas e analisados por meio de Análise Descritiva e Análise Textual Discursiva. A criação da oficina BiodiversidArte visou estimular uma visão integrada de saúde e estimular a consciência ambiental a partir da percepção da inter-relação de elementos socioambientais como fator influenciador para qualidade de vida numa perspectiva promotora da saúde e contribuindo para o cumprimento da agenda global 2030.