Título
O uso da internet como ferramenta educativa para a conservação da fauna
As redes sociais têm ganhado cada vez mais destaque e importância no meio acadêmico, seja para coleta como fonte primária de dados ou em iniciativas de divulgação científica, educação ambiental (EA) e ciência cidadã. Entretanto, o alcance e o real impacto dessas iniciativas sobre o público ainda são desconhecidos. Para verificar o potencial das redes sociais como ferramenta para conservação da fauna, foi realizada uma análise de perfis conservacionistas presentes no Facebook e Instagram, avaliando suas métricas de engajamento, caracterizando uma amostra do público e identificando o impacto das publicações. Os dados foram obtidos através da mineração ativa de dados e aplicação de questionário estruturado. Um total de 201 pessoas que seguem os perfis conservacionistas responderam ao questionário de caracterização. Verificamos que uma parcela bem específica da população brasileira, isto é, pessoas jovens, brancas, do gênero feminino e com alto grau de escolaridade acompanham os perfis. Além disso, observa-se que mais da metade da amostra do público possui uma relação direta com a área ambiental. Ao avaliar as métricas de engajamento dos perfis, verifica-se que estes possuem uma baixa interação com o público quando comparado com o número total de seguidores. Também foi possível observar que conteúdos no formato de vídeo apresentaram grande potencial para alcançar um número maior de pessoas. No presente estudo, a quase totalidade dos participantes (97%; N = 194) afirmou que as publicações realizadas pelos perfis conservacionistas já foram responsáveis pela aquisição de algum novo conhecimento ou por alterar sua percepção sobre um determinado assunto relacionado à biodiversidade. Os resultados corroboram a importância que as redes sociais possuem na sociedade atual e demonstram que estas podem ser uma importante aliada para a conservação da biodiversidade, mas o alcance das postagens a um público muito limitado é um problema a ser superado.