Título
Ecosofia em ambiente de floresta amazônica: experiências com alunos da Educação Básica
A temática ambiental, no contexto atual, necessita de um olhar especial, haja vista os inúmeros eventos que vem destruindo a biodiversidade global e, consequentemente, do país. No contexto escolar, esse tema pode ser abordado a partir de uma perspectiva de educação ambiental (EA) baseada em atividades e ações que superem a visão hegemônica tradicional, atuando tanto subjetivamente, quanto nas relações sociais e com o ambiente, indo ao encontro da proposta ecosófica de Félix Guattari. Esta pesquisa teve por objetivo principal investigar possibilidades metodológicas de atividades ecosóficas que exploram o contato direto com a natureza, buscando compreender como as três dimensões da ecosofia propostas por Guattari são movimentadas a partir das intervenções em ambiente de floresta amazônico, que incluíram uma experiência de banho de floresta. Além disso realizamos uma revisão integrativa a partir dos termos: Ecosofia + Guattari, Ecosofia, Ecosophy + Guattari, Ecosophy, Forest Bathing, Shinrin-Yoku e banho de/na floresta. Metodologicamente, a pesquisa é caracterizada como quanti- qualitativa e descritiva, tendo como base a pesquisa bibliográfica, com uso de análise integrativa, além de pesquisa documental e intervenções. A quantificação ocorreu devido à aplicação da Escala de Humor de Brunel (BRUMS), instrumento brasileiro já validado e adaptado do Perfil de Estados de Humor (POMS) e de uma escala própria criada para o início e fim de cada encontro. Os participantes convidados para a experiência foram oito alunos de 9° ano de uma escola pública, em Rondônia. Os sete encontros, dos quais cinco deles foram realizados em um fragmento florestal amazônico, foram estruturados com base na Ecosofia NAT, metodologia que mistura vivências de contato direto com a natureza, a expressão artística e o uso de tecnologias sociais e de mídias. A revisão sobre banho de floresta na PubMed, com trabalhos publicados entre 2017 e 2021, indiciou 18 trabalhos práticos e 19 de ordem teórica, aumento das publicações nos últimos três anos, os quais foram publicados em 18 períodicos diferentes, usando de 3 a 11 palavras chave, principalmente na língua inglesa. As pesquisas práticas foram realizadas em oito países, da Europa e da Ásia, com população variando de 10 a 5.109 participantes, enquanto os teóricos foram construidos com base na revisão em trabalhos presentes em 21 plataformas, envolvendo entre seis e 64 publicações que atenderam os critérios de inclusão previstos pelos autores dos estudos. Evidenciaram-se, nos artigos selecionados, que o banho na floresta afeta a saúde humana produzindo: efeito positivo sobre a espiritualidade; redução do nível de cortisol salivar e sérico em curto prazo; diminuição dos sintomas de alergia, da asma; melhora a pressão arterial e a pulsação; efeitos benéficos sobre os sintomas de ansiedade, depressão e estresse, assim como outros itens negativos do estado de humor; efeitos benéficos nos valores relacionados a fatores patológicos que se relacionam a doença cardiovascular e de citocinas inflamatórias; aumento da função imunológica e antioxidante; melhora na qualidade do sono, no metabolismo, nos aspectos cardiopulmonares, além de proporcionar efeito restaurador e relaxamento psicológico. Também os estudos evidenciam que diminuiu a gravidade da pandemia de COVID-19 em locais com maior área florestal per capita. Foram observadas as seguintes movimentações da tríade ecosófica, conforme Guattari (1990): a) subjetividade – abertura ao dialogo com pessoas próximas, autoconhecimento, ampliação nos modo de pensar e para iniciativas de autoajuda; b) social: criação de laços, fortalecimento das relações do grupo; c) ambiental: aprofundamento da relação com a floresta, reflexão sobre problemas socioambientais. Conclui-se que atividades ecosóficas em ambientes florestais amazônicos promoveram aumento do bem estar, relaxamento, autoconhecimento, redução da confusão, ansiedade, assim como a ampliação do contato com as dimensões subjetivas, sociais e ambientais em adolescentes do 9o ano do ensino fundamental. Esta pesquisa articula-se ao ODS 3, já que as atividades ecosóficas podem contribuir na promoção da saúde mental e bem-estar. Tendo como participantes alunos da educação básica, o ODS 4 é contemplado, de modo a colaborar no processo educativo com qualidade, favorecendo o compartilhamento de conhecimentos e contribuindo para a educação pautada no desenvolvimento e no estilo de vida sustentável, com maior conexão com o meio ambiente. A ecosofia preconiza o respeito, o estudo e a compreensão do meio ambiente enquanto casa, assim, o ODS 11 está contemplado, pois esse ponto busca tornar cidades, e demais agrupamentos humanos, mais inclusivos, resilientes, com segurança e sustentabilidade.