Título
Por uma educação ambiental crítica na formação inicial de professores/as: possibilidades emancipatórias em Licenciaturas da UFPB
Este estudo se desenvolveu em uma abordagem qualitativa da pesquisa em educação, sobre as
práticas e as discussões da Educação Ambiental Crítica na Formação Inicial de Professores/as.
Na perspectiva das demandas sociais sobre a educação, a partir dos novos saberes científicos,
filosóficos, tecnológicos e teóricos sobre os problemas ambientais que a humanidade enfrenta
na atualidade, e como esses saberes e suas problemáticas necessitam estar presente na formação
dos profissionais que atuarão nas práticas educativas, este trabalho teve como objetivo analisar
as possibilidades de ressignificação de concepções/ações sobre Educação Ambiental, por meio
de um processo de formação complementar, desenvolvido de forma crítica, na formação inicial
de professores/as dos cursos de Licenciatura em Ciências Sociais, História, Geografia e
Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba, Campus de João Pessoa. Nesse
sentido, em coerência com premissas críticas da pesquisa em educação, o estudo teve como
orientação epistemológica o Materialismo Histórico Dialético, compreendendo o caráter não
neutro da educação e da investigação e esteve ancorado em uma Pesquisa-Ação, realizada a
partir de um curso de formação complementar sobre a Educação Ambiental Crítica oferecido a
estudantes das licenciaturas aqui investigadas, garantindo a adesão e participação dos mesmos,
de forma prático-interpretativa e mediante ações críticas. Para a realização dos objetivos da
pesquisa ainda foram analisados os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) e foi aplicado um
questionário semiestruturado aos participantes da pesquisa. A análise dos resultados foi
realizada a partir da Análise de Conteúdo em uma perspectiva crítica, que caminha com
pressupostos da investigação como uma construção real da sociedade e expressão da existência
humana. Os resultados demonstram que os aspectos ambientais presentes nos PPCs que
apresentam a totalidade das problemáticas ambientais estão concentrados nas disciplinas
optativas dos cursos, enquanto as disciplinas obrigatórias se detêm nos aspectos naturais. Essas
características conflitivas encontradas nos currículos são refletidas nas concepções dos/as
estudantes, revelando que, mesmo compreendendo a finalidade da EA de forma crítica, suas
concepções sobre conceitos, objetivos, abordagem, conteúdos e temas a serem trabalhados,
ainda caminham em uma tendência Conservadora da EA. Em outra via, foi possível verificar
que práticas críticas que incluem a práxis educativa de ação-reflexão-ação puderam suscitar
novas concepções, construindo coletivamente novas posturas diante de si, do mundo, do outro
e da natureza. Dialeticamente, compreendendo o caráter de historicidade, do devir e do
contraditório da realidade concreta, considera-se a necessidade de uma prática educativa
ambiental problematizadora na formação inicial de professores/as, que se ancora na práxis e na
dialética existente na educação e nas problemáticas ambientais, rompendo com os paradigmas
positivistas, tradicionais e pragmáticos, coerente com fundamentos teóricos, epistemológicos,
metodológicos e ontológicos das teorias críticas da educação. O cumprimento dos objetivos
desta pesquisa, juntamente aos aportes teóricos e empíricos, validaram a tese de que uma
Educação Ambiental Crítica, historicamente situada, na formação inicial de professores/as, a
partir da reflexão crítica e da colaboração na produção do conhecimento, propicia mudanças de
concepções nos indivíduos envolvidos, quanto ao seu posicionamento diante de si e do mundo
e ao desenvolvimento da Educação Ambiental.