Título
Migração climática e a poética da arte-educação-ambiental nas narrativas de moçambicanos
Objetivou-se interpretar os fluxos migratórios, identificando as dificuldades de adaptação vivenciadas pelos migrantes de Moçambique, compreendendo esses movimentos como consequência do colapso climático mundial. Buscou-se
denunciar as catástrofes climáticas como parte da nossa responsabilidade, enquanto educadoras. Contudo, acreditamos que a arte pode contribuir com o bemestar, assim, queremos interpretar se o bem viver dos moçambicanos inclui a arteeducação-ambiental como poética de seu anúncio. Por meio de suas narrativas de luta e resistência, os caminhos metodológicos apoiaram-se na Cartografia do Imaginário, proposta por Michèle Sato, coadunando-os com a fenomenologia da imaginação, de Gaston Bachelard. Entre os arquétipos bachelardianos (água, terra, fogo e ar), destaca-se a água, justamente por representar o elemento que possui uma profunda relação com essas pessoas, permeando seus modos de vida, sonhos, dificuldades e a relação com a natureza. As águas fenomenológicas tocam os demais elementos, conferindo a indissociabilidade deles, tensionados ou suavizados por esses encontros. Sustenta-se a tese de que a arte-educação-ambiental, inscrita nas fenomenologias de Michèle Sato e Gaston Bachelard possa ser um dos caminhos para aliviar algumas dores causadas pelas ruínas do colapso climático. Energizando vozes, interpreta-se a trajetória do colapso climático. Afastando o fatalismo catastrófico, as narrativas dos migrantes interpretam cultura e natureza de forma conjugada, como se os dias e as noites se complementassem nestes olhares fenomenológicos. Nossos resultados demonstram ser necessário que as políticas públicas consigam ouvir as vozes da sensibilidade, sentimentos e arte para que as leis e programas consigam transformar a matéria caótica do mundo numa pedagogia do esperançar.