Título

A (des) articulação entre a educação e a gestão ambiental: uma análise das estratégias políticas e da percepção dos discentes da Universidade Federal da Paraíba

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente Ufpi-Ufrn-Fufse-Uesc-Ufpb/jp-Ufersa
Nome do(a) autor(a)
Cibelle da Silva Santiago
Nome do(a) orientador(a)
Maria Cristina Basilio Crispim da Silva
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A tese parte de uma análise das estratégias políticas e institucionais da política ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e da Instrução Normativa (IN) nº10/2012 que norteou a criação da Comissão de Gestão Ambiental (CGA), para elaborar e implantar o Plano de Gestão de Logística Sustentável (PGLS), tendo como premissa a valorização da Educação Ambiental da comunidade acadêmica como um processo indissociável da gestão ambiental e da concepção da política ambiental para a universidade. Com isso, investigou-se a (des) articulação entre a educação e a gestão ambiental, ao nível das estratégias da política ambiental e da formação dos discentes através de um estudo de percepção dos discentes do Campus IV. A metodologia consistiu em uma combinação de técnicas da pesquisa bibliográfica e documental sobre as normas, planos e política interna/externa (IN nº10/2012, a Política Ambiental, o PGLS e o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFPB), e uma pesquisa exploratória com abordagem quali-quantitativa através do uso de instrumentos para coleta de dados como entrevistas com os Coordenadores da CGA, e questionários aplicados aos discentes do Campus IV. O questionário foi elaborado no Google Forms e aplicado de forma online e presencial em uma amostra de 500 discentes. Utilizou-se a estatística descritiva para os dados quantitativos, e a análise de conteúdo para os dados qualitativos. A tese foi estruturada em quatro artigos, o primeiro analisou a atuação da CGA a partir da visão dos gestores entrevistados, que revelaram a perda do apoio institucional interno, tornando seu papel mais frágil pelas dificuldades para desempenhar suas atribuições. O segundo artigo investigou a política ambiental da UFPB através de pesquisa documental em que a educação ambiental está presente no programa estabelecido na Política Ambiental, porém no PDI não foram estabelecidos os objetivos, as metas e as metodologias para promover a educação ambiental da comunidade acadêmica da UFPB. Esta omissão compromete a integração entre a educação e gestão ambiental da UFPB, uma vez que não prevê recursos destinados a esta ação. O terceiro artigo investigou a percepção ambiental dos estudantes do Campus IV da UFPB e a formação de um saber ambiental adquirido antes e depois da universidade. Os canais em que eles alegaram ter adquirido tais conhecimentos foram, nesta ordem: ensino médio, família, Jornal Online/Mídias sociais, TV/Rádio e a Universidade. Para confirmar este resultado, foi feita uma pesquisa nos Projetos Políticos Pedagógicos dos cursos de graduação do Campus IV, em que verificou-se a existência de 33 disciplinas, entre obrigatórias e optativas com conteúdos sobre o meio ambiente, sendo 8 nos cursos de Mamanguape e 25 em Rio Tinto. Com base nesses resultados, foi possível afirmar que o ensino de temas ambientais no Campus IV da UFPB, ainda, é pouco explorado nos componentes curriculares. Por fim, o quarto artigo comparou o comportamento pró-ambiental dos estudantes de Mamanguape e de Rio Tinto com base no desequilíbrio entre os conteúdos ambientais das disciplinas de cada unidade de ensino. Os estudantes de Rio Tinto revelaram um comportamento pró-ambiental superior aos estudantes de Mamanguape, e confirmaram a hipótese geral da tese, de que a educação ambiental é fator indissociável da gestão ambiental. Atribuiu-se a isto, a presença maior de conteúdos ambientais no ensino em Rio Tinto, ratificando a tese de que a gestão ambiental só conseguirá alcançar as metas estabelecidas, quando a instituição assumir o compromisso com a EA na formação dos estudantes. Constata-se, portanto, que a UFPB não tem buscado articular a política de educação dos discentes para a gestão ambiental da universidade aos projetos de EA, ao entender esta gestão por meio de ações técnicas. Conclui-se que, isoladamente, nem a educação, nem a gestão ambiental conseguem cumprir com o objetivo de tornar o mundo ambientalmente mais sustentável.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Modalidade: Regular