Título
Acidentes por animais peçonhentos: saberes entre profissionais da saúde do Estado do Rio de Janeiro
A baixa visibilidade e superficialidade no ensino básico e na formação de profissionais da saúde sobre conteúdos específicos ou relacionados aos animais peçonhentos é uma realidade que reflete diretamente no quadro de agravo da situação desses acidentes no Brasil. Na área de saúde, em escolas médicas, especialmente no ensino de medicina humana no Estado do Rio de Janeiro, o conteúdo sobre animais peçonhentos é pouco difundido. Normalmente está integrado em disciplinas que abordam doenças infecciosas, parasitárias e doenças tropicais infecciosas, mas que pouco exploram o conhecimento sobre acidentes com esses animais, causando assim uma falta de informação entre os profissionais de saúde que se formam. Os acidentes com animais peçonhentos constituem um problema de saúde pública no Brasil e em diversas partes do mundo. No Brasil, ocorrem aproximadamente 260.000 acidentes por animais peçonhentos ao ano. O presente estudo teve como objetivo investigar os saberes de profissionais de saúde da linha de frente do atendimento médico (médicos, enfermeiros e técnicos de Enfermagem) sobre acidentes causados por estes animais. Foi utilizado um questionário online para uma análise quantitativa, disponibilizado em redes sociais e comunidades acadêmicas; sendo composto por questões objetivas relativas aos acidentes com animais peçonhentos. Os resultados indicaram que existe uma necessidade de capacitação específica dos profissionais da linha de frente dos atendimentos e que, eventualmente, realizam atendimento para esses acidentes, onde 36 profissionais responderam ao questionário. Destes, 58% afirmaram reconhecer aranhas, escorpiões e serpentes como principais animais peçonhentos; 69% declararam que peçonhentos e venenosos não são sinônimos; 71% ressaltaram nunca ter atendido vítimas de acidente por animal peçonhento; 53% disseram não saber sobre fosseta loreal; apenas 19% dos profissionais souberam identificar o procedimento correto sobre soroterapia em casos de acidente com escorpião; 78% dos profissionais participantes declararam não ter recebido ou não se lembram de ter recebido instruções sobre acidentes com animais peçonhentos durante sua formação. Os resultados reforçam a importância de se criar programas de atualização e capacitação profissional, ou a criação de uma disciplina específica envolvendo toxinas animais para que haja inserção do tema acidentes por animais venenosos nos cursos da área de saúde. Uma vez que o conhecimento específico é indispensável aos profissionais e para o sucesso do tratamento e recuperação dos pacientes acidentados.