Título
A construção de ambientes educativos e dos princípios formativos de educadores ambientais na proposta da “ComVivência Pedagógica”
A crise civilizatória que vivenciamos, que se expressa com veemência na emergência climática,
evidencia a necessidade de mudanças radicais nos padrões que alicerçam os modos de vida
modernos, incompatíveis com a preservação e manutenção da vida em sua diversidade. Na
formação de educadores ambientais, tal radicalidade indica a pertinência de se promover
processos formativos igualmente radicais, no sentido de tocar nas raízes da lógica negligente e
destrutiva que sustenta este sistema e o difunde como único possível, instrumentalizando
educadores para a construção de outras formas de ser e estar no mundo. Nesta intencionalidade,
a vertente crítica da educação ambiental vem desenvolvendo a proposta formativa da
“ComVivência Pedagógica” para educadores ambientais, estruturada a partir de imersões
coletivas em contextos marcados por referenciais diferenciados da lógica dominante,
intencionando proporcionar a vivência de um “choque de realidade” desestabilizador destes
padrões, fertilizando a receptividade a outras visões de mundo. A presente pesquisa debruça-se
em aprofundar o desenvolvimento teórico-metodológico da proposta, ampliando seus
referenciais de ação e tendo como principal objetivo a consolidação dos Princípios Formativos
que subsidiam a construção de ambientes educativos para a sua realização. O ambiente
educativo aqui é um espaço subjetivo, caracterizado pelo movimento interrelacional que se
constrói na e pela “Convivência Pedagógica” entre os educadores em formação, a partir da
práxis individual e coletiva resultante desta experiência. Os cinco Princípios Formativos -
reflexão crítica, postura conectiva, desestabilização criativa, indignação ética, intencionalidade
transformadora – são dinamizadores deste ambiente de “ComVivência”, conferindo-lhe
potencialidade. Para o desenvolvimento deste trabalho foram adotadas as abordagens
metodológicas Revisão Bibliográfica, Observação Participante e Pesquisa-Formação.
Considerando a complexidade da formação do educador ambiental nesta conjuntura de crise, a
perspectiva teórica que subsidia a proposta da “ComVivência Pedagógica” tem caráter
multirreferencial e conduzida sob o prisma da interculturalidade crítica. Em complemento às
experiências vivenciais, tal abordagem oportuniza uma visão problematizadora abrangente
sobre a realidade socioambiental. A experiência imersiva coletiva realizada como pesquisa de
campo deste estudo se deu no Caminho de Santiago de Compostela (Espanha). Embora o
contexto não tenha oferecido a radicalidade desejada por estar dentro da realidade hegemônica,
proporcionou a construção de um ambiente educativo satisfatório e contribuições para o
desenvolvimento da proposta como um todo. A constatação de que a abordagem da
“ComVivência Pedagógica” aporta relevantes recursos aos educadores ambientais nos inspira
a dar continuidade ao seu desenvolvimento, no sentido de consolidar suas possibilidades
metodológicas e contribuir com uma formação que potencialize intervenções educativas não
funcionais à lógica vigente de dominação e exploração humana e da Natureza. As
intencionalidades contidas na abordagem formativa da “ComVivência Pedagógica” são
direcionadas à viabilização de uma educação transformadora das relações em sociedade e desta
com a Natureza. É uma proposta integrativa e, num sentido qualitativo, um convite à conexão,
reflexão, indignação e transformação em processos formativos de educadores ambientais.