Título
O conceito de Felicidade em Epicuro e a educabilidade ambiental em tempos de hedonismo instrumental
A felicidade tem sido motivação de estudos em diferentes áreas do conhecimento, sendo
possível encontrar trabalhos em que, articulada a temas diversos, são convites à reflexão
acerca dos modos de ser e estar no mundo. O movimento inicial desta pesquisa é
mobilizado por questionamentos íntimos de como uma das principais preocupações
humanas pode contribuir para os fundamentos da Educação Ambiental (EA) e se haveria,
na busca pela Felicidade, pistas que pudessem nos orientar quanto a uma
ontoepistemologia de esperança de novo fôlego à EA, enquanto possibilidade de
transformação individual e social. Esta tese foi construída em um diálogo hermenêutico
com aspectos do humano descritos por Paulo Freire (1981; 1987; 1998; 2003; 2005),
Enrique Leff (2007), Joel Birman (2004; 2012), Zygmunt Bauman (2007; 2011; 2022),
da Complexidade, por Edgar Morin (2003; 2020), da Educação Ambiental, com Philippe
Layrargues (2012), Lucie Sauvé (2005) saberes milenares do sistema de medicina indiana
– e filosófico – da Ayurveda, categorias do conhecimento dos povos andinos, descritos
por Luiz Mujica Bermudez (2016) e a compreensão de felicidade em Epicuro. As
hipóteses que orientam as aprendizagens descritas, se estruturam a partir das reflexões de
que, (1) compreendendo que há um esvaziamento dos sentidos, este pode estar
relacionado aos significados que atribuímos ao tempo; (2) somos reféns de uma roda
hedônica de consumo por termos uma constante necessidade de preencher o que
compreendemos por vazio existencial e o fazemos pelo excesso; (3) aprendemos a excluir
e negar o prazer natural e o buscamos por vias compensatórias; (4) ao estabelecer uma
relação de subordinação entre indivíduo e sociedade criamos obstáculos à relação de sercom-o-outro. Materializa pensamentos despertados no contato com moradores e
estudantes universitários de Andahuaylas, região andina do Peru e, é deste contato que se
elabora a metodologia de pesquisa, cujo movimento circular é inspirado na Chakana
(também conhecida por Cruz Andina) e se sustenta no compreender, olhar e conhecer
para voltar a si mesmo e recomeçar continuamente. Tempo, consumo, qualidade de vida
são conceitos em diálogo que contribuem para buscar possibilidades de respostas para a
questão central da pesquisa que busca compreender “Como a expressão de felicidade em
Epicuro nos ajuda a repensar o consumismo como forma de hedonismo atual, tendo em
vista da qualidade de vida ambiental?” As aprendizagens enunciam a tese de que a
Educação Ambiental pode valer-se dos ensinamentos de Epicuro no que diz respeito à
felicidade e, por consequência à ética, compreendendo a necessidade de a Educação
Ambiental ser integradora, articulando-se como elo das diferentes correntes,
reivindicando a presença e a consciência e, que se orientando, especialmente, pelas
ausências, tenha condições de olhar, compreender e conhecer, transformando os espaços
vazios em possibilidades articuladas ao tempo e à condição humana de Ser Mais. Ainda
que as aprendizagens manifestadas possam ressoar como sentenças, a pesquisa se nutre
pela esperança, pela possibilidade de condição de que os ensinamentos do filósofo do
jardim contribuam para a educabilidade ambiental e que, enquanto sociedade, tenhamos
espaço para as amizades, uma vida digna sob pactos de justiça, onde nossos desejos
naturais e necessários sejam atendidos e os desejos não necessários sejam diminuídos e
que possamos esperar alegremente pelo amanhã, sem dele sentir necessidade.