Título

Educação ambiental em comunidades do movimento de ecovilas brasileiro

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Bruna Santos Bevilacqua
Nome do(a) orientador(a)
Dione Iara Silveira Kitzmann
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2022
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Em um contexto de múltiplas crises intensificadas pela pandemia, investigamos
iniciativas de transição para sociedades sustentáveis, com enfoque no movimento de
ecovilas. Ecovilas são assentamentos humanos sustentáveis caracterizados por
serem experiências alternativas de organização socioambiental com processos
participativos de tomadas de decisão e de construção coletiva de soluções
(ambientais, econômicas e socioculturais). Nesses processos, são levados em
consideração os contextos socioculturais e as características biorregionais, além da
sustentabilidade em todas as suas dimensões, desenvolvendo modos de viver
comunitários autogestionários. Então, assumindo que a experiência em princípios e
práticas socioambientais sustentáveis está na base da organização e da dinâmica das
ecovilas, e considerando que a investigação científica sobre as mesmas enfocada em
educação e Educação Ambiental encontra-se ainda pouco explorada, delineamos
uma metodologia para investigar sua dimensão educacional. O objetivo principal desta
pesquisa é analisar a dimensão educacional do conceito ecovilas e do movimento que
este inspira a partir da questão de pesquisa sobre quais são os processos educativos
ambientais desenvolvidos pelas comunidades do movimento de ecovilas brasileiro.
Pretendemos assim abrir uma frente de diálogo interdisciplinar a partir da Educação
Ambiental e contribuir com futuras pesquisas sobre o mesmo objeto de estudo e com
a consolidação do mesmo no campo científico no país. A fundamentação teóricoconceitual
inclui revisão de literatura e conceitos para contextualização do objeto de
estudo e da discussão proposta através de referenciais em Educação Ambiental como
Capra, Sauvé, Carvalho, Loureiro, Layrargues e Quintas. A metodologia se configura
como uma abordagem qualitativa baseada em Minayo, e é composta pela combinação
entre pesquisa de campo nas bases de dados virtuais das redes de ecovilas e
levantamentos de dados através de questionários e entrevistas, além de inserção no
movimento de ecovilas através de atuação voluntária nas suas redes brasileira, latina
e global. Partindo de uma amostra inicial de 109 comunidades brasileiras cadastradas
nas redes de ecovilas distribuídas por 16 estados brasileiros mais o Distrito Federal,
encontramos o desenvolvimento de processos educativos em 77 delas, e entre elas,
48 desenvolvem processos de Educação Ambiental, as quais foram convidadas a
participar da pesquisa respondendo ao questionário e à entrevista. Então, seis
comunidades participaram voluntariamente, sendo três do sudeste, uma do centrooeste,
uma do nordeste e uma da região sul do país. Portanto, contamos com a
representação uma comunidade por região geográfica do país (com exceção da
norte). Sendo assim, a amostra pode ser considerada ilustrativa porém não
representativa do movimento de ecovilas brasileiro. A análise dos resultados é
composta por sistematização e mapeamento, análise individual e comparativa, além
de análise de conteúdo. Concluímos que as ecovilas, de maneira mais autônoma,
como laboratórios, e também coletivamente, como movimento, educam
ambientalmente através do compartilhamento de suas experiências em princípios e
práticas socioambientais sustentáveis, entre comunidades e destas com a sociedade,
por meio da oferta de cursos, oficinas, visitas, retiros, imersões e vivências, com
destaque para processos de voluntariado. Portanto, os processos educativos
desenvolvidos nessas comunidades podem potencializar ações individuais e coletivas
na perspectiva educadora ambiental da transformação individual à mudança social.


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Contexto Educacional