Título
A educação socioambiental nos cursos de formação de engenheiros da UFMS
Esta tese investigou a existência de elementos da educação ambiental, da educação socioambiental e da sustentabilidade bem como suas vertentes, nos cursos de engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de modo a apresentar uma proposta para a inserção da educação socioambiental na formação do profissional de engenharia, coerentes com as políticas da educação ambiental e diretrizes curriculares nacional para engenharia. A tese defendida é de que a orientação de um currículo que possibilite a produção e disseminação de conhecimento, contextualizado com a educação socioambiental é estratégico para os engenheiros estarem preparados para lidar com as questões socioambientais. Optou-se por propor a educação socioambiental por entender que a formação dos engenheiros deve também promover uma postura ética e responsável, levando em conta os impactos sociais e ambientais que suas decisões podem acarretar. Para fundamentar a pesquisa foi realizado um resgate histórico da formação dos cursos de engenharia, das legislações, diretrizes e aportes teóricos da educação ambiental. A análise documental foi utilizada para obtenção dos elementos investigados, com a interdisciplinaridade e a transversalidade sendo os indicadores para a análise, e as visões de natureza utilizadas como parâmetros para definir as vertentes que prevalecem nos documentos. Utilizando a teoria das representações, por meio de mapas mentais, com recorte para o curso de engenharia civil, obteve-se a percepção da construção do saber ambiental que ocorre durante a graduação. Os resultados evidenciaram que no âmbito da UFMS, as ações existentes estão voltadas ao desenvolvimento sustentável, prevalecendo o foco na gestão, espaço físico, atividades e intervenções pontuais, contextualizando a educação ambiental e a graduação principalmente por meio das ações da extensão. Nas graduações a ausência de aporte teórico e metodológico, bem como as diferenciações na abordagem da temática, demonstram que a educação ambiental não é uma unidade integradora. A respeito da percepção de meio ambiente, os resultados indicam que não ocorrem mudanças significativas entre ingressantes e concluintes do curso, para a maioria dos acadêmicos o ser humano não é visto como parte do meio ambiente, evidenciando a ausência ou falha da educação ambiental. Estas análises representam a necessidade de intervenções na abordagem da educação ambiental na engenharia. Deste modo, sugere-se que as bases do saber ambiental devem estar inseridas nas disciplinas de conteúdos básicos obrigatórios comuns a todas as habilitações de engenharias, homogeneizando o saber ambiental aos acadêmicos. Estes conhecimentos devem propiciar um aporte teórico e epistemológico básico e serem aprofundados no decorrer do curso nas disciplinas inerentes a cada ênfase da engenharia. Por fim, sugere-se a extensão como campo para a realizar analogia entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados e as questões da vida real, contextualizadas com a questão ambiental, propiciando ao acadêmico atuação dentro de sua área de conhecimento e a interlocução com a sociedade.