Título

Os sentidos do silêncio do termo educação ambiental na Base Nacional Comum Curricular

Programa Pós-graduação
Rede Nacional Para Ensino das Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Elaine Trindade de Oliveira Ribeiro
Nome do(a) orientador(a)
Ana Josefina Ferrari
Grau de Titulação
Mestrado Profissional
Ano de defesa
2021
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O presente trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa documental e bibliográfica, com abordagem qualitativa, que partiu da curiosidade da autora em saber, onde, no texto da BNCC, documento base para a reformulação dos currículos escolares, estaria contemplada a Educação Ambiental (EA). Ao cabo de uma minuciosa busca, percebeu-se, na normativa, um rol de conteúdos que compõem a parte comum, perfazendo um total de sessenta por cento, composto por disciplinas que são comuns a todos os estudantes do Brasil e cujo objetivo é promover um nivelamento na aprendizagem dos estudantes do país. Verificou-se, então, que o tema da EA, entre outros, encontra-se entre os quarenta por cento de conteúdos da parte diversificada, que são temas cuja inclusão nos planejamentos deve ficar a cargo das escolas. A pesquisa, então está fundamentada em autores que se ocuparam em explicitar a importância da EA e as consequências de seu silenciamento no documento da normativa. Apoiada em longa pesquisa bibliográfica, que inicia no pensamento filosófico grego, passando por inúmeros pensadores que descrevem a relação do ser humano com a natureza, explica o fato atual de que, para os responsáveis pelo texto final da normativa, é desnecessário dar ênfase à reflexão, dentro das escolas, sobre os problemas ambientais, advindos da intervenção humana na natureza. Para estimular a reflexão sobre a importância da EA, buscou-se autores com características da EA Crítica e da filosofia do Bem Viver. Diante das inconsistências evidenciadas no texto da normativa, a pesquisa procura, então, mostrar, por meio de metodologias complementares, primeiro uma análise de conteúdo o Caderno de Ciências da Natureza, fundamentada na autora Minayo (1994), que contribuiu na fase inicial para o delineamento necessário para a construção do corpus da pesquisa que, ao fim de exaustivo levantamento dos termos relacionados ao tema ambiental, mostrou, em forma de tabelas comparativas, a ocorrência dos termos afins ao tema ambiental. Por outro lado, a autora valeu-se do instrumental da disciplina da área da Linguística, Análise de Discurso francês com argumentos linguísticos dos textos de Eni Orlandi (2007 e 2015). Por fim, evidenciou-se a ausência do termo EA e também se percebeu um deslizamento sofrido pelo termo EA nos conteúdos comuns da normativa, aqui entendido como obrigatório para todas as regiões do país. A questão que se coloca é saber a que sujeitos interessa o silenciamento de debates e reflexões críticas, de temáticas tão importantes e urgentes, sejam apagados dos currículos escolares.


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