Título

As mudanças climáticas na perspectiva dos educadores da Escola Estadual do/no Campo São José

Programa Pós-graduação
Ensino
Nome do(a) autor(a)
Raquel Ramos Alves
Nome do(a) orientador(a)
Ronaldo Eustaquio Feitoza Senra
Ano de defesa
2021
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo compreender as perspectivas dos professores da Escola Estadual do/no Campo São José, sobre as Mudanças Climáticas. Além de identificar os conceitos de Educação Ambiental que os professores têm, compreender as Injustiças Climáticas que denunciam as desigualdades e a importância do Ensino da Educação Ambiental na Escola do/no Campo, para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, para que tenha consciência ecoplanetária e problematize a existência do Ser Humano e do Planeta Terra. A pesquisa desenvolveu-se na Escola Estadual do Distrito de Água Fria, a 80 quilômetros de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso. A escola, construída há mais de 50 anos, atende a cerca de 700 alunos, sendo 250 na sede e 450 crianças nas 5 salas anexas em outras comunidades circunvizinhas que compreendem o Morro do Cambambe. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com abordagem de Estudo de Caso, entrevista estruturada no Google Forms, análise documental, visita de campo e observação. São abordados importantes conceitos como: Justiça Climática, Justiça socioambiental, Capitaloceno, Educação Ambiental Crítica, Interculturalidade Crítica e Modernidade/colonialidade. Durante os trabalhos, foram enfrentados grandes desafios devido ao isolamento social em decorrência do Coronavírus. Várias alterações tiveram que ser feitas ao longo do processo, o que a tornou atual e relevante, uma vez que traz à tona os sinais de desigualdade e exclusão nas Escolas do/no Campo não só neste Estado, mas em todo o país, revelados no contexto do COVID-19. A Mudança Climática é uma temática urgente e necessária, que perpassa por todos os campos de conflitos vividos no presente século, e que precisa ser discutida por todos e todas que são solidários aos Povos do/no Campo, uma vez que são essas comunidades tradicionais as mais vulnerabilizadas pela sociedade globalizada, capitalista e Antropocêntrica. Entende-se que a Escola do/no Campo tem um importante papel que entrelaça o Conhecimento Científico com o Conhecimento produzido pelas Comunidades. Esta travessia teve resultados significativos que fizeram ver as fragilidades e o quanto existe de contradições no cotidiano da escola e da comunidade. Os resultados mostraram uma escola desvinculada com as lutas das comunidades assistidas pela Escola do/no Campo São José. Percebeu-se que a escola ainda não está documentada como escola do campo, embora já seja conhecida por esta modalidade, como vê-se no muro da escola. Outro fator que também dificulta o entrelaçar da instituição com a comunidade é o fato de a maioria dos gestores que por lá deixam suas marcas não serem moradores de lá. Também é o caso dos educadores que trabalham nesta escola: são de comunidades vizinhas e são contratados, não têm vínculos permanente com a comunidade. A escola não tem participação nas lutas desta comunidade e pouco espaço se encontra aberto para que a comunidade se sinta amparada. Como a escola ainda não está documentada como escola do campo, os educadores não recebem formação continuada que atenda às especificidades da Educação do/no Campo. Quanto aos temas Educação Ambiental e Mudanças Climáticas, a escola não tem trabalhado nos últimos anos, porém a escola está sob outra direção, e muitos esperam por transformações.


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Modalidades