Título
As mudanças climáticas na perspectiva dos educadores da Escola Estadual do/no Campo São José
Esta pesquisa tem como objetivo compreender as perspectivas dos professores da Escola Estadual do/no Campo São José, sobre as Mudanças Climáticas. Além de identificar os conceitos de Educação Ambiental que os professores têm, compreender as Injustiças Climáticas que denunciam as desigualdades e a importância do Ensino da Educação Ambiental na Escola do/no Campo, para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, para que tenha consciência ecoplanetária e problematize a existência do Ser Humano e do Planeta Terra. A pesquisa desenvolveu-se na Escola Estadual do Distrito de Água Fria, a 80 quilômetros de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso. A escola, construída há mais de 50 anos, atende a cerca de 700 alunos, sendo 250 na sede e 450 crianças nas 5 salas anexas em outras comunidades circunvizinhas que compreendem o Morro do Cambambe. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com abordagem de Estudo de Caso, entrevista estruturada no Google Forms, análise documental, visita de campo e observação. São abordados importantes conceitos como: Justiça Climática, Justiça socioambiental, Capitaloceno, Educação Ambiental Crítica, Interculturalidade Crítica e Modernidade/colonialidade. Durante os trabalhos, foram enfrentados grandes desafios devido ao isolamento social em decorrência do Coronavírus. Várias alterações tiveram que ser feitas ao longo do processo, o que a tornou atual e relevante, uma vez que traz à tona os sinais de desigualdade e exclusão nas Escolas do/no Campo não só neste Estado, mas em todo o país, revelados no contexto do COVID-19. A Mudança Climática é uma temática urgente e necessária, que perpassa por todos os campos de conflitos vividos no presente século, e que precisa ser discutida por todos e todas que são solidários aos Povos do/no Campo, uma vez que são essas comunidades tradicionais as mais vulnerabilizadas pela sociedade globalizada, capitalista e Antropocêntrica. Entende-se que a Escola do/no Campo tem um importante papel que entrelaça o Conhecimento Científico com o Conhecimento produzido pelas Comunidades. Esta travessia teve resultados significativos que fizeram ver as fragilidades e o quanto existe de contradições no cotidiano da escola e da comunidade. Os resultados mostraram uma escola desvinculada com as lutas das comunidades assistidas pela Escola do/no Campo São José. Percebeu-se que a escola ainda não está documentada como escola do campo, embora já seja conhecida por esta modalidade, como vê-se no muro da escola. Outro fator que também dificulta o entrelaçar da instituição com a comunidade é o fato de a maioria dos gestores que por lá deixam suas marcas não serem moradores de lá. Também é o caso dos educadores que trabalham nesta escola: são de comunidades vizinhas e são contratados, não têm vínculos permanente com a comunidade. A escola não tem participação nas lutas desta comunidade e pouco espaço se encontra aberto para que a comunidade se sinta amparada. Como a escola ainda não está documentada como escola do campo, os educadores não recebem formação continuada que atenda às especificidades da Educação do/no Campo. Quanto aos temas Educação Ambiental e Mudanças Climáticas, a escola não tem trabalhado nos últimos anos, porém a escola está sob outra direção, e muitos esperam por transformações.