Título
Artes visuais e educação ambiental em territórios ecofenomenológicos: uma experiência de formação docente em Campo Magro/PR
Diante da perspectiva de que a educação ambiental é um importante campo de pesquisa e
prática pedagógica e que, apesar dos documentos oficiais e da vasta literatura acadêmica,
entendemos que ainda é silenciada em vários espaços. Partindo deste contexto, o presente
estudo objetiva evidenciar as potencialidades do ensino das artes visuais para a educação
ambiental como caminho para discussões sobre meio ambiente, sociedade, consumo e
afetividades. Esta investigação discute a educação ambiental pelas artes visuais sob o viés da
ecofenomenologia, onde a indissociabilidade entre ser humano e natureza e a confluência do
pensamento ecológico com a fenomenologia instigam reflexões sobre a horizontalidade das
relações nesse espaço de vida compartilhado. Por intermédio de um curso de extensão para
nove profissionais da educação no município de Campo Magro/PR, a sensibilização para as
formas de atuação no mundo humano e não humano no sentido de correspondência, que visa
ecoar para múltiplos entendimentos e superar a visão antropocêntrica do mundo, foi central na
proposta. Configurando-se numa pesquisa qualitativa, foram aplicados três procedimentos de
coleta de dados: a observação participante, que consistiu em perceber, considerar e se
envolver com o grupo pesquisado e sua dinâmica; diários de bordo, como instrumentos
capazes de entrelaçar acontecimentos, reflexões e vivências e mapa artístico, solicitado após
uma caminhada pela região, como conjunto de informações numa perspectiva estética e
sensível do lugar. Os resultados se deram por meio de análise interpretativa, refletindo a
respeito das mensagens apresentadas e buscando explorar a fecundidade das experiências.
Os aspectos que emergiram como contribuições do ensino das artes visuais para a educação
ambiental - imagens, múltiplas camadas, sensibilização e emaranhados do mundo mais que
humano - permitiram demonstrar que as artes visuais são um potente caminho para a
educação ambiental, despertando sensibilidades e entendimentos sobre as formas de atuação
no~com o mundo humano e não humano, abrindo espaço para afetividades e valores. Ao
longo das argumentações, construiu-se um diálogo entre a memória afetiva da pesquisadora e
conceitos que abrangem as perspectivas éticas~estéticas~políticas.