Título

Gestão de resíduos domiciliares durante a pandemia da Covid- 19: uma análise preliminar sob a perspectiva da psicologia ambiental

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Eline Prado Santos Feitosa
Nome do(a) orientador(a)
Zenith Nara Costa Delabrida
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2021
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A problemática dos resíduos sólidos urbanos (RSU) pode ser relacionada à dois aspectos
principais: a migração, em massa, e de modo desordenado da população das zonas rurais para
a região urbana; ao modelo capitalista baseado na produção de bens a partir da exploração dos
recursos naturais de modo indiscriminado, consumo e descarte. O reconhecimento da gravidade
dos problemas ambientais e de saúde pública relacionados à gestão dos RSU, emergiu a partir
da década de 1970, quando houve uma mobilização mundial sobre a crise ambiental global e a
finitude dos recursos naturais. Atualmente, a problemática da gestão dos RSU se manteve como
um grande desafio do Século XXI a nível mundial e, principalmente nos países em
desenvolvimento. Houve no Brasil, nos últimos dez anos, um aumento da geração dos RSU e
ao mesmo tempo que o cumprimento das diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos
por parte dos gestores públicos e demais atores sociais é um grande desafio. Diante do cenário
da pandemia da Covid-19, os governos e autoridades de cada país traçaram estratégias que
incluíam, principalmente, a restrição de circulação de pessoas, o que alterou a rotina, os padrões
de compra, consumo e a gestão de RSU e resíduos domiciliares (RDO). Uma ação imediata
para conter a transmissão da Covid-19 entre os profissionais que atuam no gerenciamento dos
RSU, foi a suspensão temporária dos serviços de coleta seletiva em diversas cidades e estados
brasileiros. Diante desse contexto, o presente estudo focou na problemática da gestão dos RDO
a partir da perspectiva da Psicologia Ambiental, com ênfase na relação pessoa-ambiente,
durante a pandemia da Covid-19, com o objetivo de abordar as possíveis alterações na gestão
dos RDO a partir das alterações das rotinas ocasionadas pela pandemia da Covid-19. Com base
no levantamento bibliográfico de dados e pesquisas sobre os impactos da geração e gestão de
RDO durante a pandemia foi desenvolvido um questionário de aplicação online, composto por
42 itens com a finalidade de investigar se a alteração das rotinas familiares modificou o
gerenciamento dos RDO durante o período pandêmico. Participaram da pesquisa 372 pessoas,
com idade média de 35,5 anos, sendo sua maioria 75,8% (282) do estado de Sergipe. Os
resultados evidenciaram que houve um aumento da geração de RDO, das compras do tipo
delivery, da quantidade de refeições preparadas e realizadas em casa ao comparar os períodos
antes e durante a pandemia. Foi identificada uma discrepância entre preocupação com os
problemas ambientais, percepção de risco entre o descarte inadequado de resíduos associado ao
surgimento de novas doenças, a baixa adesão de ações que visem a melhoria da gestão dos RDO
e um baixo medo em ser infectado pela Covid-19 ao manipular os RDO. Acredita-se que os
resultados deste estudo, analisados a partir das barreiras psicológicas, apresentem informações
relevantes sobre a gestão RDO, devido à gravidade do contexto da pandemia da Covid-19, por
se tratar de crise ambiental sem precedentes, que desencadeou uma série de problemas de ordem
econômica, social e em saúde pública, com fortes impactos também na gestão dos RSU. Por
fim, sugere-se que sejam realizados estudos mais aprofundados sobre geração de RDO que
foquem na percepção ambiental, análise ecológica, influência dos aspectos psicológicos na
relação pessoa-ambiente, com a finalidade de favorecer/provocar ações focadas no contexto,
com a participação ativa dos atores sociais e respeitando as especificidades de cada localidade


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