Título
Referentes para a gestão de risco de desastre por meio da educação ambiental não-formal mediada por profissionais da Defesa Civil
Ações educativas vêm sendo desenvolvidas para Gestão de Riscos de Desastres (GRD). Tanto
a Educação Ambiental (EA) quanto à atuação da Defesa Civil têm sinalizado experiências
significativas junto as escolas. Atualmente as Tecnologias da Informação e Comunicação
(TICs), têm auxiliado na construção de práticas pedagógicas diferenciadas, que devem estar
pautadas em referentes, ou seja, critérios norteadores determinantes da forma como as
atividades educacionais deveriam ser embasadas, executadas e fundamentadas, visando
promover maior interesse junto aos estudantes. Portanto, o objetivo geral desta pesquisa foi
elaborar referentes, a partir da articulação de fundamentos teóricos, das observações em campo
de projetos de GRD, das experiências realizadas pelos profissionais das Defesa Civis na Bacia
Hidrográfica do Rio Itajaí (BHRI) e da socialização de conhecimentos dos participantes de
projeto com sua comunidade, para promoção de práticas educativas com TICs em contextos
não formais na prevenção e o enfrentamento de riscos de desastres junto ao público escolar. Os
objetivos específicos, apresentados em capítulos, foram: (1) Identificar estratégias de educação
ambiental não formal para GRD em nível nacional e internacional, assim como mapear as TICs
que podem ser empregadas como ferramentas na formação dos estudantes; (2) Distinguir as
práticas educativas de GRD, as ferramentas tecnológicas e o perfil dos profissionais da Defesa
Civil que trabalham com a formação de estudantes na BHRI; (3) Identificar o grau de
socialização das experiências assimiladas e multiplicadas por participantes de projeto educativo
da Bacia Hidrográfica junto à sua família, confrontando os resultados deste estudo com o
conceito da EA crítica-transformadora para a formação em GRD e (4) Elaborar referentes para
práticas educativas com TICs por meio da junção de estudos bibliográficos, descritivos e
exploratórios relacionados com a educação ambiental não formal e os riscos de desastres
naturais para serem mediadas por profissionais das Defesas Civis para GRD. A pesquisa é do
tipo empírica e descritiva, de caráter quali-quantitativo, estruturada em três etapas: (1)
levantamento de dados, (2) sistematização das informações com análise, (3) síntese e redação.
Para atingir cada objetivo específico foram empregados multi-métodos, incluindo pesquisas
bibliográficas em bases de dados internacionais e nacionais, contato com os coordenadores das
Defesas Civis dos 50 municípios pertencentes a BHRI, buscando conhecer a realidade das ações
por meio de entrevistas sobre os projetos educacionais e aplicação de questionários com os
responsáveis legais de estudantes que participaram de projeto para GRD, para propor a
indicação de referentes. Como resultados, foram localizados 18 modelos de formações
nacionais e internacionais, com estratégias de educação ambiental não formal que abordam em
sua maioria eventos de deslizamentos, tendo os técnicos das DCs como os principais
profissionais responsáveis pela mediação destas atividades. Identificou-se o emprego de
ambientes virtuais, blogs, vídeos educativos, simulações, realidade virtual e virtual aumentada
para abordar a temática dos desastres. Dentre os 50 municípios da BHRI, 36 não desenvolvem
projetos de EA vinculado a DC, oito já tiveram ações de prevenção, mas no cenário atual de
2020, somente seis continuam realizando formações. Na questão dos questionários aplicados
com os responsáveis legais dos estudantes participantes do projeto educacional para redução de
risco de desastre, observa-se que os responsáveis de três comunidades diferentes apresentam
conhecimentos sobre a GRD, independente do ano em que foram aplicados os projetos. Com
base em todas essas informações, constituiu-se três dimensões de referentes, definidos pelas
competências, metodologias e espaços para a formação dos estudantes. Conclui-se que
atualmente poucas ações são realizadas a nível nacional, relacionadas com a formação de
discentes no enfrentamento de desastres. Das atuais ações existentes a maioria, até o primeiro
semestre de 2020 era realizada de forma expositiva, com baixo emprego da base teóricametodológica da educação ambiental e do uso das tecnologias, na qual os técnicos das DCs
realizam em grande parte a divulgação das informações por meio de palestras ou atividades
similares. Todavia, para promover formações de qualidade em GRD, vários detalhes devem ser
analisados pelos técnicos. Assim, partindo dos diferentes levantamentos realizados chegam-se
as seguintes conclusões. As formações devem ser constituídas por equipe multidisciplinar.
Antes de iniciar qualquer projeto a DC deve delimitar o público-alvo e observar a situação
contexto em que a comunidade escolar está vinculada. Também deve envolver a comunidade
de professores locais e englobar a unidade escolar como sede dos projetos. Incorporar
rotineiramente as três dimensões dos referentes, bem como utilizar habilidades que procurem
proporcionar uma visão completa das interações existentes no ambiente. Incluir metodologias
ativas híbridas, diversificando o uso de tecnologias e explorar espaços além da sala de aula.
Faz-se necessário também a implementação de todos os pontos relatados anteriormente em
conjunto com medidas educativas voltadas a EA, em especial sobre sua vertente crítica
favorecendo consolidar na comunidade estudantil a percepção do risco de desastre, fator
indispensável para a prevenção