Título
Análise da Educação Ambiental Marinha e Costeira nas Unidades de Conservação de Proteção Integral do Estado do Rio de Janeiro
A crise socioambiental mundial que ameaça os ambientes costeiros e marinhos, tornou urgente o desenvolvimento de ações de educação ambiental (EA) em unidades de conservação (UC). No Brasil, com o estabelecimento do Sistema
Nacional de Unidades de Conservação, a EA passou a estar prevista em todas as categorias de áreas protegidas. Apesar dos diversos instrumentos para a implementação da EA nas UC, isso não garante o seu pleno desenvolvimento.
Nesse contexto, a presente pesquisa consiste em uma análise da EA em unidades de conservação marinhas e costeiras de proteção integral, no estado do Rio de Janeiro (Brasil). Foram selecionadas 12 UC, federais e estaduais. A base metodológica foi a Pesquisa Qualitativa e a coleta e análise de dados foi realizada entre agosto de 2016 e julho de 2021, através de: 1) levantamento bibliográfico; 2) análise documental de relatórios; 3) visitas técnicas de reconhecimento e participação em eventos; 4) aplicação de questionário diagnóstico online e 5)
estudo de caso observacional. Os resultados demonstraram que as unidades de conservação costeiras e marinhas realizam atividades pontuais de EA com foco na conservação da biodiversidade marinha. No entanto, apresentam muitas limitações para o desenvolvimento de programas e planos de ação de EA. A falta de recursos humanos e financeiros são os problemas mais citados pelos gestores, como fatores que limitam a realização das ações educativas. A pesquisa também verificou que a constante troca de gestores e guarda-parques pode comprometer a continuidade de algumas iniciativas. Desta forma, são necessárias estratégias para evitar a interrupção das ações, como um Conselho Consultivo bem estruturado e capaz de manter uma Câmara Temática de EA ativa e com ampla participação social. Quanto aos principais temas abordados nas ações educativas estavam; lixo/poluição,
biodiversidade e conhecimento geral sobre as unidades de conservação e suas regras. As estratégias mais empregadas foram mutirões de limpeza de lixo, trilhas interpretativas/ visitas escolares, palestras e participação em eventos e dias comemorativos. A Reserva Biológica Estadual de Guaratiba foi a que mais avançou no processo de EA, através do desenvolvimento do Programa de Educação e Interpretação Ambiental e Patrimonial (PEIAP). No estudo de caso sobre a Reserva foi possível concluir que o desenvolvimento do PEIAP se deve a um conjunto de fatores como: 1) gestão participativa e comprometida com o Plano de Manejo e Planos de Ação; 2) participação de voluntários, através de recursos humanos e materiais, 3) integração do ensino formal e não formal, conciliando os projetos escolares com as ações socioambientais da unidade de conservação; 4) apoio da
equipe da sede aos encaminhamentos da Câmara Temática e 5) adaptação do plano de ação à realidade global e ao contexto local, gerada pela pandemia por COVID-19. Como fragilidades a serem superadas, foi verificado: insuficiente embasamento na legislação, ausência de profissional qualificado em EA na equipe da UC; dificuldade de conciliar as agendas das escolas e da gestão e centralização de tarefas em poucos integrantes da Câmara Temática. O presente estudo permitiu identificar os principais desafios para a educação ambiental marinha e costeira nas UC do estado do Rio de Janeiro. Com isso, espera-se otimizar recursos disponíveis, contribuir para a troca de experiências entre os gestores e incentivar maior participação social.