Título
A horta como artefato potencializador da alfabetização científica na perspectiva integrada e sustentável
A pesquisa em questão oportunizou a realização de práticas pedagógicas a partir
das potencialidades de uma horta, cognominada Laboratório Vivo, articulando teoria
e prática, tanto no campo da formação em serviço, como nas relações discursivas
intraescolares. Os objetivos foram ampliados para o desenvolvimento dos conteúdos
escolares dos anos iniciais à luz de temas geradores, dentro da perspectiva da
abordagem temática. O estudo esteve ancorado nas contribuições teórico/práticas
de Freire (1988, 2005; 2019), nos 3MPs concebidos e organizados por Delizoicov,
Angotti e Pernambuco (2018) e nas formulações sobre ações pedagógicas
realizadas em sala ou em campo, experimentadas e vivenciadas por Lobino (2002;
2010; 2012; 2014; 2015). O percurso metodológico incorreu em pesquisa qualitativa
com proposição de intervenção pedagógica, em uma turma do quinto ano do ensino
fundamental de uma escola municipal do Ensino Fundamental em Vitória/ES,
planejada pelo coletivo de educadores e, sob orientação do projeto condutor de
Extensão Cefor/Ifes, intitulado Currículo por abordagem temática: a horta como
artefato pedagógico na perspectiva da sustentabilidade. Foram adotados os
procedimentos de coleta: visitas orientadas, resgate de memória, registros nos
relatos de bordo, entrevistas, aulas teórico/práticas, registros fotográficos e vídeos.
O espaço da horta foi considerado como extensão da sala de aula, como laboratório
vivo. A pesquisa revelou inúmeras possibilidades da horta enquanto artefato
pedagógico, à medida que os movimentos do plantar, cultivar, desenvolver e cuidar
foram se constituindo. O estudo proposto contribuiu para a construção de um
sentimento, nos sujeitos participantes, de pertencimento inseparável entre ser
humano e natureza, além de sugerir a incorporação de um ensino de ciências nas
diferentes estratégicas didáticas. Em suma, as ações interventivas dessa pesquisa,
experimentais ou demonstrativas possuem potencial para uma leitura integrada de
mundo desde a mais tenra idade, assim como almejado pelas propostas de
alfabetização científica.