Título
Significados e experiências educativas em uma trilha interpretativa na Amazônia: uma aproximação ética~estética~política da Educação Ambiental
Essa dissertação problematiza a dicotomia da relação ser humano e natureza pautada no pensamento moderno. Argumentamos que práticas em Educação Ambiental, que valorizam e integram as subjetividades, as singularidades e a afetividade dos sujeitos em experiências com a natureza podem contribuir para a superação da fragmentação da realidade e colaborar com a transformação social. O objetivo geral desta pesquisa foi analisar práticas em Educação Ambiental em experiências com a natureza em uma trilha interpretativa em um contexto de formação de professores. Especificamente, este trabalho objetivou: i) Caracterizar os significados atribuídos às experiências na trilha interpretativa em narrativas a partir dos aspectos éticos~estéticos~políticos da Educação Ambiental; ii) Descrever nos discursos as implicações das experiências na trilha interpretativa para a formação dos professores enquanto educadores ambientais; iii) Caracterizar as representações de imagem atribuídas às experiências na trilha interpretativa; iv) Descrever a relação das narrativas com as representações de imagens atribuídas às experiências na trilha interpretativa. O caminho metodológico envolveu a realização de uma trilha interpretativa na Floresta Nacional de Carajás, produção de narrativas e de desenhos. Os textos narrativos foram analisados a partir dos tempos analíticos da metodologia da análise interpretativa-compreensiva das narrativas de Souza (2004; 2014) e os desenhos foram analisados a partir da construção de uma rede sistêmica inspirada na técnica de Bliss, Monk e Ogborn (1983). Como resultados, identificamos os elementos centrais e singulares das narrativas dos professores e as unidades temáticas de análise a partir das dimensões ética~estética~política. As 13 narrativas apresentaram elementos da sensopercepção no ambiente, reflexões sobre as relações ser humano~natureza, cuidado com o ambiente, sentimentos, preocupação com as futuras gerações, qualidade de vida, atitudes de mudanças, aspectos da espiritualidade e sensação de estar em um outro ambiente. Após esse tempo, definimos três elementos que aprofundaram as questões identificadas nos textos e discutimos a partir da literatura do campo ambiental. Nesses elementos
argumentamos sobre: os valores atribuídos à natureza pelos participantes, o posicionamento dos professores em relação à natureza e as preocupações com o meio ambiente a partir de uma lógica antropocêntrica. Nos desenhos, fizemos uma caracterização geral dos elementos presentes e construímos uma rede sistêmica a partir dos elementos Naturais e Construídos identificados nas representações dos professores, discutindo quais elementos apareceram e o número de ocorrência de cada um deles. Os desenhos dos professores apresentaram os elementos da percepção visual da caminhada com a natureza. Também discutimos a utilização de diferentes metodologias de gerações e de análise de dados para as pesquisas em Educação Ambiental, as contribuições da proposta da trilha interpretativa para o campo da Educação Ambiental e para formação da práxis ambiental dos educadores. Diante da crise ambiental, a proposta desenvolvida possibilitou reflexões e posicionamento dos sujeitos com a natureza e pode se apresentar como uma proposta generativa, contribuindo para formação de educadores ambientais na Floresta Nacional de Carajás e em outras Unidades de Conservação.