Título
Educação ambiental: abordagens teóricas e estudos de caso no Campeche (Florianópolis-SC) à luz do pensamento complexo e do direito ecológico
A relação ser humano-natureza tem ocorrido sob uma ótica reducionista, disjuntora e antropocêntrica, em que a natureza é vista como algo separado do ser humano e como objeto de uso e exploração. Com isso, foi gerada uma crise ambiental global, que leva as condições conhecidas da Terra ao colapso, afeta diversos seres vivos, seus habitats e os ecossistemas, e prejudica a qualidade de vida das gerações atuais e futuras. Nesse contexto, aparece a educação ambiental, com o propósito de modificar a relação que se tem com a natureza e a compreensão sobre ela. Possui diversas formas de ser praticada, porém, muitas vezes é realizada de maneira superficial, tratando apenas de um dos enfoques possíveis e desconectando a complexidade dos problemas ambientais. Diante disso, questiona-se: quais os fundamentos de uma educação ambiental apta a ensinar uma nova relação ser humano-natureza, que modifique a visão disjuntora, reducionista e antropocêntrica de natureza objeto, que causa a crise ambiental, e que possa preparar para um pensamento complexo e ecológico? Objetiva-se, assim, elaborar fundamentos consideradas importantes para a educação ambiental, envolvendo o pensamento complexo, o direito ecológico e distintas abordagens de educação ambiental, além de serem realizados estudos de caso no Bairro Campeche (Florianópolis-SC), para então, a partir dessas análises, compor fundamentos relevantes para a educação ambiental. O pensamento complexo busca superar a visão fragmentada da natureza para ver as interligações existentes entre as partes e o todo e as propriedades que emergem da sua organização. Traz também contribuições para a compreensão do ser humano na natureza, a partir da visão de autoeco-organização, que associa autonomia organizacional com dependência do meio e das inter-relações existentes. De forma semelhante, o direito ecológico trata de uma nova forma de conceber a relação ser humano-natureza, inserindo-o na rede da vida, e traz uma ética biocêntrica, que busca a proteção da natureza pelo seu valor intrínseco, e traz a proteção dos direitos da natureza. Esses direitos se associam ao bem viver e à busca por uma vida em harmonia com a natureza, e trazem previsões legais que podem ser ensinadas pela educação ambiental. Tais questões podem ser inseridas na educação ambiental em conjunto com suas diversas abordagens, sendo trabalhadas mais a fundo: educação ambiental crítica, educação ambiental política, ecopedagogia, alfabetização ecológica, educação para sustentabilidade, educação para o consumo sustentável, educação ambiental na natureza, educação para libertação animal e educação ambiental para conscientização. Para ir além da teoria, são realizadas entrevistas com educadores e observações de práticas de educação ambiental em duas escolas, sendo analisados projetos de educação ambiental e representações sociais. A pesquisa é realizada a partir de uma perspectiva transdisciplinar, com estudo de autores de diversas áreas científicas, leis, decisões judiciais e, também, com estudos de campo, tendo a complexidade como paradigma que orienta o estudo. As técnicas de pesquisa adotadas, quanto aos procedimentos, são bibliográfica, documental e de campo; quanto aos métodos, são o dedutivo e o indutivo (este nos estudos de campo, em que é realizada uma pesquisa qualitativa). A combinação dessas abordagens e fundamentos pode levar a uma educação ambiental complexa, ecológica e crítica, que ensine uma nova visão sobre a natureza e sobre a relação ser humano-natureza, de acordo com um novo paradigma em que se possa enfrentar a crise ambiental e proteger a natureza por seu valor intrínseco.