Título
Educação ambiental transformadora em projeto de assentamento agroextrativista: caminho para uma autogestão comunitária em Água Fria (Serra do Ramalho-BA)
O objetivo desta tese é compreender como a Educação Ambiental Transformadora pode contribuir para a sustentabilidade de Projetos de Assentamentos Agroextrativistas. A opção teórico metodológica que orientou a pesquisa foi a abordagem Materialista Histórica Dialética ancorada na Pesquisa-Ação-Participante, que possibilitou uma análise histórica dos processos de ocupação do território na região do rio São Francisco (com ênfase na implementação do Projeto de Colonização Serra do Ramalho e na criação do Projeto de Assentamento Agroextrativista São Francisco) através da utilização dos seguintes instrumentos e técnicas: entrevistas semiestruturadas, questionários socioeconômicos (aplicados com todas as famílias da comunidade), oficinas com metodologias participativas (oficina de Cartografia Social e Diagrama de Venn), observação participante com os sujeitos da pesquisa, que foram: dirigentes da Associação de Moradores, membros dos Grupos de Mulheres e do Grupo de Jovens, moradores/as associados da AMOFRIA, e um representante de cada família da Água Fria. Essa Comunidade foi escolhida como locus da pesquisa por estar localizada no Projeto de Assentamento Agroextrativista São Francisco e também por ter como característica marcante a participação dos/as moradores/as nas ações comunitárias ali efetuadas. Os resultados apontam que a efetivação de trabalhos com a Educação Ambiental Transformadora podem contribuir para a sustentabilidade ao: - possibilitar que os povos tradicionais, moradores/as do PAE, problematizem sua realidade a partir de suas próprias experiências e saberes; - ao valorizar os conhecimentos tradicionais e a ancestralidade das populações em diálogo horizontal com o conhecimento científico/tecnológico em uma perspectiva anticapitalista; - ao fomentar a união e a busca coletiva de alternativas de construção de um futuro melhor, democrático, justo e igualitário para todos e todas; - ao desvelar a dimensão política das questões socioambientais, problematizando as formas de apropriação dos elementos naturais e das nossas relações com a natureza e com nós mesmos; - ao ter como procedimento metodológico a participação dos sujeitos nas ações de transformações da realidade vivida; e, - ao propiciar o resgate de formas de trabalho associado e de autogestão presentes em comunidades tradicionais como alternativas de viver em coletividade e como forma de construir outras sociabilidades distintas da lógica capitalista. Espera-se que esta investigação possa contribuir para o desenvolvimento de estudos em comunidades e povos tradicionais com a Educação Ambiental Transformadora objetivando construir alternativas de sustentabilidade na perspectiva anticapitalista.