Título
A bioconstrução no ambiente educativo de formação de educadores ambientais críticos: um modo de confrontar a hegemonia em novas sociedades possíveis
Esta pesquisa investiga formas com as quais a bioconstrução, e as concepções que a
embasam, podem auxiliar na práxis formativa em educação ambiental crítica de maneira
prática e integrativa, promovendo o contato direto com a natureza e com os saberes
tradicionais e ancestrais, trazendo a perspectiva histórico-crítico-cultural e contrapondo
práticas hegemônicas instituídas e construídas na sociedade. O presente estudo mostra, por
meio de uma vivência imersiva em uma comunidade alternativa, a aplicação de referências
teórico-metodológicas baseados na "ComVivência Pedagógica" e seus cinco princípios
formativos (reflexão crítica, postura conectiva, indignação ética, desestabilização criativa e
intencionalidade transformadora) na formação de educadores ambientais críticos. E ainda, sob
a perspectiva de três âmbitos de atuação: relação com os seres não humanos e ambientes que
nos cercam, relação com outros seres humanos e a relação consigo mesmo. Essa lente, por
meio dos âmbitos, procura dar mais foco na crise de relações e no autoconhecimento
repercutindo, assim, as concepções sobre os princípios formativos para o ambiente interior de
cada participante. A bioconstrução com barro se conecta fortemente com os conceitos
abordados por meio de uma experiência sensorial e intuitiva dentro da coletividade. O uso de
materiais naturais locais na construção provocam uma profunda conexão entre prática,
conceito e realização, potencializando muito o processo pedagógico para a formação de
educadores ambientais críticos e conscientes. O ambiente educativo se cria através de
dinâmicas de bioconstrução e outras atividades de convivência, que geram reflexões sobre a
crise de relações e o modo de vida hegemônico, contribuindo, dessa forma, na edificação de
caminhos e conexões para se pensar novas sociedades possíveis.