Título
Educação ambiental Pilintra e direito à cidade: pedagogias que emergem da luta por moradia no centro do Rio de Janeiro
A presente pesquisa busca a observação, identificação e reconhecimento dos saberes que emergem
das práticas coletivas de luta por moradia e direito à cidade na região central do Rio de Janeiro,
configurando-se como práxis pedagógica emancipatória e orgânica desenvolvida no diálogo com
o território com o objetivo de promover a superação das relações assimétricas de poder que o
estruturam. Para isso, buscamos discutir os valores sociais e as narrativas que constituem de
maneira inarticulada e imperceptível o espaço geográfico. A observação do meio, assim como a
pesquisa bibliográfica empreendida, mostra que somente crítica ontológica, ou seja, uma reflexão
filosófica e crítica a respeito do ser humano e do ser das coisas, pode gerar transformações
concretas e duradouras sobre a relação sociedade/natureza. A luta por reconhecimento social, como
única alternativa à barbárie, leva a movimentos de reconstrução da sociabilidade, colaboração e
solidariedade humanas; elementos constantemente atacados pelo capital em sua tentativa de
gerenciamento de corpos e espaços. Destaco assim, o papel fundamental exercido por certas
tecnologias sociais ancestrais que, sendo aqui reunidas, compõem o que resolvi chamar de
Educação Ambiental Pilintra. Esta última representa um escopo de táticas coletivas e “formas de
fazer” que, mesmo fragmentadas e espalhadas pelo território, se apresentam como contraponto à
ideia de cidade como mercadoria, além de uma forma de escapar à lógica normativa da
colonialidade.