Título
Educação e Racismo Ambiental: as percepções dos sujeitos da EJA da Escola Estadual do Campo São José
O grande desafio da modalidade da Educação de Jovens e Adultos não está apenas na erradicação do analfabetismo. Sua especificidade a diferencia das demais modalidades de educação e ao mesmo tempo permite que ela transite pelas outras, como a Educação do Campo, Educação Quilombola e Indígena. Essas especificidades se unem às particularidades de seus sujeitos, com biografias integradas em uma relação não linear com a escola. A escolha da temática está relacionada com minha experiência no Centro de Educação de Jovem e Adulto José de Mesquita, que foi fundamental para despertar em mim o interesse pelo tema do “negro”, do vulnerabilizado, dos injustiçados socioambientais. O objetivo principal foi conhecer as percepções dos estudantes da EJA do 1º e 2º segmento (séries iniciais), sobre a educação e sobre o racismo ambiental. O estudo foi realizado na Escola Estadual do Campo São José, localizado no distrito de Água Fria, no município Chapada dos Guimarães/MT. Tem como referencial teórico o pensamento do grupo Modernidade/Colonialidade e de Paulo Freire, que propõem uma construção de um conhecimento outro, claro, a partir de todos os tipos de conhecimentos, não somente o vinculado à ciência, relacionado com saberes outros, ecologia de saberes, e também se relaciona com conceitos de interculturalidade, injustiças socioambientais, racismo ambiental. Quanto à forma de abordagem, esta é uma pesquisa qualitativa, tipo Estudo de Caso. Para análise dos dados foram utilizados transcrição de áudios, questionário com perguntas abertas, fotos, registros de diário de campo e análise documental, no caso o PPP (Projeto Politico- Pedagogico) da escola, o que permitiu perceber a concepção desses sujeitos tanto em relação à educação quanto ao racismo ambiental. Evidenciou que desejam adquirir novos conhecimentos, mas trazem na bagagem conhecimento de vida, conhecimento empírico, e assim fica a certeza de que o conhecimento válido não é somente o conhecimento científico como neutro e universal (colonialidade do saber). Percebem também as mudanças de suas paisagens, são capazes de refletir sobre o seu contexto socioambiental, e, com isso, evidenciar a questão da terra. É possível que se desenvolva um currículo decolonial em meu lócus de pesquisa, a partir das singularidades dos sujeitos.