Título

Transição agroecológica em uma abordagem sociocultural: ressignificação de práticas agrícolas, localidades e modos de vida

Programa Pós-graduação
Ciências Ambientais
Nome do(a) autor(a)
Renata Maria Guerreiro Fontoura Costa Vaz
Nome do(a) orientador(a)
Rodolfo Antonio de Figueiredo
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2021
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Partindo da noção de transição no campo da agroecologia, esta tese se remete a uma análise deste processo por meio das relações socioculturais que o constituem, com base em três estudos de caso no município de São Carlos. Ainda, a pesquisa teve como objetivos compreender as motivações que levam as/os agricultoras/es a aderirem a modos de produção de base ecológica; analisar as novas relações socioambientais decorrentes da transição agroecológica; desvelar os processos de ressignificação e de criação de novas identidades vinculados à agroecologia; investigar os processos de relocalização originados a partir das novas práticas produtivas concebidas; comparar os diferentes processos de transição e as respectivas nuances entre os casos estudados, levando em consideração os contextos sociais e históricos específicos de cada realidade. A hipótese que se apresenta é a de que a transição agroecológica, entendida como um processo sociocultural acionado por múltiplos elementos, promove alterações substanciais nas relações socioambientais dos sujeitos que a vivenciam, o que ocorre através da adoção de novas práticas produtivas de base ecológica, da mudança de valores, da construção de novas redes de comunicação e de colaboração entre as/os diversas/os atrizes/ores sociais, da relocalização e transformação a nível territorial – em uma dinâmica que flui do desencantamento em relação ao modo de produção agrícola convencional e às condições de vida subalternas que grande parte dos sujeitos participantes da pesquisa vivenciaram durante o percurso de suas vidas – associada aos desafios inerentes a esta ruptura. Para tanto, adotou-se como referenciais analíticos a noção de “evento crítico”, de Veena Das, e de “eficácia simbólica”, de Lévi-Strauss, que foram adaptadas para a compreensão dos acontecimentos motivadores e/ou de ruptura que levam os sujeitos e grupos sociais a aderirem ao engajamento na transição, e o processo de relocalização alimentar. Foram realizadas entrevistas com os grupos sociais referidos, com enfoque na abordagem de trajetórias de vida, além de metodologias participativas e observação participante; as narrativas coletadas foram examinadas por meio da Análise Textual Discursiva. Categorias de análise foram desenvolvidas referentes ao período que antecede o engajamento no processo de transição, entre os quais se encontram as origens e modos de vida, a luta pela terra e acontecimentos motivadores e/ou de ruptura. A partir desse instante, novas relações socioambientais foram tecidas por esses grupos, analisadas a partir de fatores como a busca por novos conhecimentos e técnicas produtivas adotadas; acesso a políticas públicas e projetos de desenvolvimento; autoconsumo e segurança alimentar; ressignificação de valores associados à produção agroecológica; relocalização; estratégias de comercialização e certificação e desafios e/ou conflitos superados/presentes, entre outros. Deste modo, enquanto resultados, a pesquisa desvela que o engajamento na transição agroecológica requer conhecimentos específicos e se relaciona à criação de sentido e à construção de relações de confiança; exige dedicação constante e se vincula a valores que vão além do monetário. Um processo, portanto, que é acionado por razões endógenas e exógenas, em que os acontecimentos motivadores possuem papel crucial, em diferentes realidades de vida no meio rural.


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