Título

Contaminação no extremo sul do Brasil e leste uruguaio, ontem e hoje: agronegócio, conflitos e educação ambiental

Programa Pós-graduação
Educação Ambiental
Nome do(a) autor(a)
Ramses Mikalauscas Farherr
Nome do(a) orientador(a)
Carlos Roberto da Silva Machado
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2021
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O atual modelo de desenvolvimento agropecuário/agrícola, denominado agronegócio, tem se colocado, desde o final dos anos 70 do século passado até os dias atuais, como a principal base de influência nas formas de ser, estar e pensar a natureza, consolidando-se como um “super-setor”. Assim, expressa desde cedo, via discursos e propaganda, um sentindo fatalista e evolucionista, de que é ele próprio a forma mais bem-acabada, por isso insuperável, de se relacionar com a natureza. Contudo, dois eventos de contaminação hídrica, ocorridos no extremo sul do Brasil e Leste do Uruguai no final dos anos 70 e início dos 80, apontavam já cedo o ônus mal distribuído e pouco divulgado do setor: a contaminação por agrotóxicos e objetos de produção agroindustrial indispensáveis. Tais eventos marcaram o início do movimento ambientalista desses países. Já o paradigma da Revolução Verde que marcou a época, foi introduzido e consolidado em comunhão com as ditaduras militares dos respectivos países, junto a multinacionais, cujos próprios militares tinham íntima relação. De lá pra cá o agronegócio se articulou e se aprofundou em todas esferas da vida social desses países, ao mesmo tempo em que se tornou químico-dependente, impulsionando a criação de variados novos elementos que constituem os agrotóxicos. Seus impactos, ainda que tacanhamente conhecidos, devido à recente preocupação sobre o tema, já começam a ser divulgados e estudados através de diversos grupos e pesquisas. A área de recorte da pesquisa, a saber o sistema lacustre-costeiro do extremo sul do Brasil e Leste Uruguaio, destacando-se a Bacia Hidrográfica da Lagoa Mirim e o complexo arrozeiro transfronteiriço, que vem sendo, desde o século passado, um dos principais responsáveis pela contaminação e degradação ambiental da região. Ao mesmo tempo, o agronegócio contemporâneo, vem contando com novos atores e filosofias, que se apropriam de diversos pensamentos e práticas em Educação Ambiental (EA), para legitimar sua expansão e reprodução. Assim, o objetivo geral desse trabalho, foi identificar, a partir dos Fundamentos da Educação Ambiental (FEA), qual a relação que o agronegócio construiu com a natureza e com as águas desde o século passado até os tempos atuais, apontando suas principais contradições, características e apropriações de atividades desde este campo. Para tanto, utilizamos autoras e autores que trabalham genericamente sobre o tema, a partir de diferentes áreas (geografia, história, antropologia, toxicologia, educação ambiental, saúde pública), e especificamente aqueles que tratam desses problemas na região de estudo. A fim de entender os sentidos dos discursos, nos apoiamos na Análise do discurso de Eni Orlandi, entendendo que estes são não apenas palavras soltas, mas relacionais, intencionais e históricos, isto é, produtos de determinados contextos e escritos para determinado público para produzir determinados sentidos. Finalmente procuramos contribuir para a superação da injustiça ambiental local e global, propondo, desde uma pedagogia dos conflitos na educação ambiental, o diálogo intercultural para um novo tipo de ciência e métodos conectados aos saberes e demandas populares.


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Contexto Educacional