Título

Jovens da escola quilombola de Paratibe-PB: convivência, pertencimento e negação

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Cledia Ines Matos Veras
Nome do(a) orientador(a)
Celecina de Maria Veras Sales
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A comunidade que habita o bairro de Paratibe, na periferia sul de João Pessoa-PB, é caracterizada como de remanescentes quilombolas, obtendo o reconhecimento pela Fundação Palmares desde 2006. A partir disso, a Escola Municipal Antônia do Socorro Silva Machado começou paulatinamente a reestruturar seu Projeto Político-Pedagógico para atender à especificidade daquela comunidade que se serve dela. Este estudo se propôs a investigar se os/as jovens da comunidade remanescente de quilombos, estudantes da Escola Antônia do Socorro Silva Machado se reconhecem como quilombolas? Se se identificam com o projeto quilombola em implantação e com as práticas pedagógicas dessa instituição de ensino? Para responder essa questão, parti do seguinte objetivo: compreender como os/as estudantes da escola se identificam com a cultura afrodescendente e o projeto quilombola vivenciado na instituição de ensino. Como objetivos específicos, investigar se a escola tem contribuído no processo de afirmação da identidade quilombola através do PPP e das práticas pedagógicas; identificar se as atividades pedagógicas da escola se caracterizam como práticas de uma pedagogia antirracista e Decolonial; conhecer como os as jovens se autodefinem em relação a etnia e entender como os as jovens convivem com a sua ancestralidade, cultura e pertencimento ao território quilombola (sentidos e significados da sua condição juvenil). O referencial teórico para análise e fundamentação foi dialogada com Arce (2009), Dayreel (2003), Carrano (2008), Sales (2003 e 2016), Pais (1993, 2003, 2006), Munanga(2005), Nascimento (2019), Gomes (2003 e 2009), Freire (1987, 1996, 2015) Fanon (1979), Figueiredo (2009, 2012), Walsh (2009), Candau (2008) entre outros. Como abordagem metodológica utilizada foi a pesquisa etnográfica escolar. Os procedimentos metodológicos foram: observação participante, entrevista narrativa, técnicas grupais inspirados nos círculos de cultura freireanos. Quanto aos resultados, constatou-se que a maioria dos sujeitos não associa a história dos seus antepassados à sua ancestralidade africana, as religiões de matrizes africanas estão presentes na tradições da comunidade de Paratibe, no entanto são silenciadas e provocam sentimento de vergonha entre os jovens em circunstancias dos preconceitos. Por outro lado, existe entre eles o interesse pelas danças sejam funk (a dança da cidade) ou maculelê, dança do côco e ciranda (danças de matriz africana). A escola no seu papel de formação humana está desenvolvendo um projeto de educação quilombola e de sensibilidade para identidade étnico-racial.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Modalidade: Regular