Título

Conflitos ambientais e currículo: reflexões de um processo formativo escolar comunitário

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Jakeline Modesta Almeida Fachin
Nome do(a) orientador(a)
Regina Aparecida da Silva
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta pesquisa buscou identificar os principais conflitos e injustiças socioambientais vivenciados pelos/as moradores/as da Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida do Chumbo, município de Poconé, Mato Grosso. Buscou também compreender como os/as educadores/as da Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida trabalham no contexto escolar esses conflitos socioambientais, sua relação com o currículo e as práticas educativas. A comunidade vem enfrentando vários problemas externos e internos gerados pela expansão do agronegócio na região. Com uma abordagem qualitativa, as propostas metodológicas utilizadas foram o Mapa Social e a Sociopoética. O Mapa Social é uma metodologia participativa que, por meio das autonarrativas dos grupos sociais envolvidos na pesquisa, oferece possibilidades de mapear identidades, territórios, culturas, conflitos, táticas de resistência e outros aspectos. A pesquisa na escola teve como inspiração metodológica a sociopoética, que propõe atividades coletivas na produção do conhecimento, em que todos os integrantes se constituem como copesquisadores, reconhecendo todas as formas de conhecimento, populares ou acadêmicos, e que abandona a ideia de um pesquisador independente para favorecer a formação de um grupo-pesquisador. Nossos sujeitos da pesquisa foram os/as educadores/as da escola e os/as moradores/as da comunidade. Os principais impactos/conflitos socioambientais mapeados foram: uso abusivo de agrotóxicos, desmatamento, disputa por terra, disputa por água e queimadas. Esses têm sido provocados pela obstinação destrutiva da ação econômica predatória, que altera o modo de vida da comunidade e resulta em conflitos socioambientais levando os/as moradores/as a sofrerem com injustiças ambientais. Com essa pesquisa, foi possível perceber que apesar de todo o processo de intimidação e ameaças que a comunidade vivencia, a seu modo, tem buscado resistir por meio do fortalecimento e valorização de sua cultura e identidade. A escola desempenha um papel importante nesse processo, pois mesmo tendo um currículo nos moldes das escolas urbanas, os/as educadores/as buscam, por meio da realização de projetos educativos, desenvolver atividades que fortaleçam a resistência e a preservação ambiental, na perspectiva de construir um currículo que venha ao encontro da realidade vivida pela comunidade, reconhecendo sua história, cultura e lutas. Espera-se que os mapeamentos realizados com, pelas/pelos e para a comunidade, possam valorizar a identidade social dos grupos e apoiar os/as educadores/as a organizar possibilidades educativas que auxiliem no enfrentamento dos conflitos, das alterações ambientais, climáticas e das injustiças, na perspectiva de fortalecer a luta e resistência dessa comunidade, alicerçadas no compromisso social e ambiental pela proteção da vida no Cerrado do Pantanal.


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