Título
Geossítio batateira – memórias em movimento: tramas territoriais e ambientais no Cariri cearense
Este estudo problematiza o território e as territorialidades no Cariri Cearense, em suas
tramas sociais e ambientais, por meio das narrativas históricas e memorialísticas que
entrecruzam homem, natureza e paisagem. São discutidas as construções narrativas que,
em grande medida, fizeram uso do patrimônio natural e histórico como elementos
centrais para forjar sentidos identitários ao Cariri cearense. Imagens e representações
em torno do patrimônio são interpretadas a partir da análise do Geossítio Batateira,
espaço envolto num processo de (re)configuração identitária - onde se processa a
materialidade do Território Geopark Araripe. O território é explicado a partir das
discussões sobre “territorialização” desse espaço, referente aos processos de
“apropriação”, concretos ou simbólicos. Tal compreensão permitiu analisar as tramas
sociais e ambientais referentes aos usos socialmente construídos do patrimônio natural e
histórico encontrado nesse Geossítio – denominado pela UNESCO como Geossítio
Batateira – localizado na Chapada do Araripe, um dos símbolos da territorialidade do
povo carirense. A imaterialidade identitária caririense, conforme as problemáticas
deste estudo, perfazem as escritas diarísticas do séc. XVIII e XIX, registros das
expedições que atravessaram o sul do Ceará; produções de textos clássicos e
historiográficos que envolveram a temática ambiental no Cariri. Para discutir a relação
território-paisagem foi possível selecionar e analisar as narrativas históricas e
memorialísticas que catalisam os debates públicos sobre esse espaço social - o Geossítio
Batateira. Essas narrativas apresentaram os conflitos/dissensos que aparecem na posse e
propriedade desse espaço: os tipos de patrimônio existente na rede de tramas que
envolvem o Sítio Fundão – para a criação do Parque Estadual Sítio do Fundão (PESF).
A incursão em análises sobre temas relacionados à História Ambiental e procedimentos
teóricos e metodológicos caros a análise historiográfica, especialmente as abordagens da
História Oral e da História do Tempo Presente, propiciaram a mobilização de conceitos
como identidades, representação, cultura, memória, territorialidade, patrimônio natural e
patrimônio histórico.O estudo parte das questões socialmente vivas do tempo presente,
atento ao debate público contemporâneo referente às discussões sobre patrimônio dentro
da nova configuração espacial do Geossítio Batateira. Um “novo espaço”, que dialoga
com as narrativas históricas e memorialísticas do Cariri Cearense, a partir das novas
experiências e novos olhares em relação a esse território construído socialmente. Na
interface Patrimônio e Educação Ambiental são analisados os itinerários dos projetos
atualmente implementados no Geossítio Batateira. Tais projetos estão alinhados a
problemática ambiental, de modo mais particular ao Parque Estadual Sítio do Fundão,
de acordo com as proposições e definições da Política Nacional de Educação Ambiental
(Lei nº 795/97, de 1999), por sua vez, amparada na Política Nacional do Meio Ambiente
que incluiu a Educação Ambiental nos currículos escolares da educação básica. Esses
projetos são compreendidos nesse estudo, como respostas as demandas sociais
contemporâneas sobre a Educação Ambiental: Da Carta de Belgrado (1975), que propôs
um programa mundial de Educação Ambiental a “Carta Brasileira de Educação
Ambiental” (produzida na Conferência do Rio 92). Os debates públicos sobre
Patrimônio e Educação Ambiental são analisados na tese para problematizar o pedido de
Tombamento do Sítio Fundão, e criação do Plano de Manejo que define aspectos da
ocupação da área protegida por lei (unidade de conservação que possui 93,52 mil
hectares e ocupa área no município de Crato) a partir das discussões sobre usos políticos
e sociais do passado – em uma história participativa que reúne conselheiros, autoridades
locais, estudantes, pesquisadores e instituições parceiras.