Título

As relações entre saúde e ambiente nas práticas de promoção da saúde

Programa Pós-graduação
Enfermagem e Saúde
Nome do(a) autor(a)
Cinoelia Leal de Souza
Nome do(a) orientador(a)
Cristina Setenta Andrade
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

A saúde e o ambiente estão relacionados diretamente, pois o desenvolvimento não sustentável, as barreiras ambientais e as ações ser humano/natureza e natureza/ser humano resultam em sérios problemas à saúde, além das injustiças e iniquidades sociais. Nesse contexto, as ações de saúde realizadas no território, como proposto pelas políticas de saúde do Brasil, podem favorecer o processo de saúde e qualidade de vida de indivíduos e comunidades, desde que estreitados os laços entre o ambiente e a saúde. Diante disso, o objetivo geral do estudo foi: analisar como é estabelecida a relação saúde e ambiente nas ações de promoção da saúde no contexto da Estratégia de Saúde da Família. Objetivos específicos: traçar o perfil de morbimortalidade relacionado à saúde e ambiente; identificar quais as ações desenvolvidas pelos profissionais de saúde que abordam a temática ambiental na Estratégia de Saúde da Família; caracterizar a abordagem da temática ambiental nas atividades de educação em saúde realizadas por profissionais da Estratégia de Saúde da Família; verificar como os usuários da Estratégia de Saúde da Família vivenciam as atividades de educação em saúde que abordam temática ambiental. Pesquisa de natureza qualitativa e quantitativa, do tipo descritiva e exploratória. Foram realizadas entrevistas com profissionais e usuários das unidades de saúde. Foram estudados territórios adscritos de 11 unidades de saúde. A amostra de profissionais foi probabilística estratificada com 49 Agentes Comunitários de Saúde, 16 Técnicos de Enfermagem, 11 dentistas, 09 médicos, 11 Enfermeiros e 10 auxiliares de saúde bucal. Os critérios de inclusão para usuário foram: ter mais de 18 anos e estar cadastrado na unidade escolhida para o estudo, sendo incluídos 331 usuários em uma amostragem simples e sem reposição. A análise qualitativa foi realizada por meio da triangulação de dados e a quantitativa com auxílio do software estatístico SPSS 22®. Aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 79882217.8.0000.0055). Os resultados apontaram que é necessário reafirmar que os fatores ambientais isolados não determinam as condições de pobreza, subdesenvolvimento e falta de acesso à saúde e conservação dos recursos naturais, por outro lado, tratar das questões socioambientais como dissociadas das questões de saúde tem implicado em uma assistência às patologias e não às necessidades de saúde que os territórios locais impõe. As ações dos profissionais de saúde não aproximam o impacto e a importância do ambiente para a saúde, e por isso as ações de educação em saúde ainda são pontuais e pautadas em doenças crônicas, mesmo o território apresentando altos índices de doenças infectocontagiosas. Isso consequentemente é percebido pelos usuários dos serviços de saúde estudados, que pouco acessam informações para produzir conhecimento sobre as barreiras socioambientais e os impactos delas na saúde do indivíduo e da comunidade no seu território de vivência. Cabe então, mais investimentos em saúde, educação e desenvolvimento responsável nessas áreas, pois não se pode considerar o desenvolvimento sustentável sem antes garantir condições mínimas para a sobrevivência da população, nem garantir ações efetivas baseadas na realidade se não há investimentos, capacitação profissional e sensibilidades para os problemas locais de cada território.


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