Título
Percepções e Práticas de Ensino em uma Reserva Ambiental e sua Comunidade do entorno: análise da relação reserva-comunidade a partir da educação ambiental crítica
As áreas de proteção ambiental são espaços não-formais de ensino que possuem um grande potencial de criação de políticas públicas e práticas educativas para um território. A troca de saberes e o diálogo entre estas áreas e sua comunidade do entorno são, segundo a perspectiva crítica da educação ambiental, premissas fundamentais para a criação dessas políticas e práticas de forma democrática. Sendo assim, esse estudo teve como objetivo analisar a relação estabelecida entre a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA) e os moradores do entorno, a partir da análise das suas percepções e da participação destes moradores nas atividades de Educação Ambiental em vigor na reserva. Os dados foram coletados através de entrevistas com os educadores ambientais, os moradores do entorno e os jovens, também moradores do entorno, participantes do Projeto Jovem Guarda. Os resultados mostraram que a reserva possui atividades mais voltadas para a comunidade escolar, não sendo comum a participação dos moradores do entorno no seu cotidiano. No caso dos jovens guardas, que já participam de atividades na reserva, constatou-se uma predominância do discurso conservador no projeto. Apesar de gostarem de realizar as atividades, percebe-se também o desejo da criação de maiores oportunidades para sua formação, principalmente fora do ambiente da reserva. Quanto aos moradores do entorno, percebe-se uma relação histórica e afetiva da comunidade com a reserva. No entanto, os pontos negativos apontam para a perda dessa relação nos últimos anos, caracterizado principalmente pela falta de comunicação com a comunidade e a ausência de atividades e ações voltadas para a participação dos moradores, para além da comunidade escolar. Assim, concluímos que a REGUA tem sido importante para a formação ambiental e social dos jovens da comunidade que participam dos jovens guardas, bem como para a melhoria da qualidade de vida dos moradores da região. Contudo, evidencia-se a necessidade de dar mais voz aos integrantes de ambos os grupos, entendendo-os como indivíduos autônomos e potencialmente questionadores da sua realidade social, a partir de estratégias que ofereçam mais oportunidades de posicionamento e colaboração com a reserva. Dessa forma, a perspectiva futura para esta pesquisa é que se proponha a construção coletiva de atividades de ensino, promovendo maior protagonismo para os moradores e possibilitando a recuperação da relação reserva-comunidade.