Título
A crise ético-ecológica e seu enfrentamento: o papel da Educação Ambiental na busca de um novo paradigma ecológico
A civilização contemporânea vivencia nos dias atuais uma crise ético-ecológica que encontra esteio no modo de produzir a vida em sociedade, cuja tônica está voltada à acumulação e valorização financeira do patrimônio natural, o que tem ameaçado a sobrevivência não só das presentes, mas também das futuras gerações. Nesse sentido, pode-se afirmar que a emergência dessa crise ecológica evidenciou a crise estrutural do processo de acumulação capitalista, cujas consequências são desastrosas: verifica-se o enriquecimento de alguns em detrimento da pauperização de muitos, o crescimento da miséria e da desigualdade social, além dos sérios conflitos pela apropriação do ambiente, considerado como mera mercadoria. Trata-se, pois, de uma questão de fundo socioambiental, ético e de valorização da vida, já que a falta de acesso de grande parte da população aos elementos naturais básicos necessários a uma vida sadia tem como causa, dentre outras, a espoliação indiscriminada da natureza e, como consequência, altos níveis de poluição, o aquecimento global, gerando desequilíbrio climático e catástrofes naturais extremas. Nessa toada, o exame das formas de enfrentamento dessa problemática se revela primordial na busca pela sustentabilidade, na medida em que se passa a refletir essa relação tão tensa entre o sociedade e a natureza. Almeja-se, assim, demonstrar que a questão ambiental trata-se de um problema eminentemente socioeconômico, de tal sorte que os contornos éticos da crise (sócio)ambiental encontram suas raízes na desigualdade social (luta de classes), inerente ao modo de produção capitalista. Além disso, busca-se evidenciar a influência da política na questão ambiental, visivelmente observada em movimentos como o antiecologismo, utilizado como instrumento de opressão dos menos favorecidos economicamente, os principais afetados pela má distribuição e falta de acesso ao patrimônio ambiental. Adotou-se uma abordagem de análise qualitativa, na medida em que foi efetuada pesquisa bibliográfica em livros, artigos de revistas (periódicos), monografias e documentos eletrônicos relacionados ao tema. Nessa perspectiva, apresenta-se a Educação Ambiental (EA) como campo do conhecimento que – além de tematizar o ambiente – exerce a função de instrumento ético-ecológico capaz de propiciar essa reflexão crítica acerca da necessidade de revisão de paradigma jurídico para busca do verdadeiro ideal de sustentabilidade, com a consequente reformulação do objeto do Direito Ambiental, questionando-se a cultura arraigada na ética puramente antropocêntrica. Nesse contexto, o objetivo maior da EA é a superação das formas de dominação capitalista, sendo que – para isso – é preciso romper com o discurso centrado exclusivamente na perspectiva ecológica, que contribui para a constituição do capitalismo verde, pregando mudanças superficiais, meramente cosméticas, e não de lógica societária. Aborda-se, ainda, o valioso princípio responsabilidade de Hans Jonas como forma de possibilitar o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos, além de consistir em possível caminho a ser trilhado para real efetivação do Estado Socioambiental de Direito e construção de uma sociedade sustentável.