Título
O ambiente natural como potencializador no processo educacional das pessoas com deficiência: sinuosas possibilidades
Pensar e atuar no processo formativo das Pessoas com Deficiência (PcD) constitui-se um desafio, considerando a complexidade que permeia o universo cotidiano dessas pessoas e as dificuldades inerentes à Educação como um todo. A pesquisa em questão objetivou compreender as possibilidades de a relação entre Educação Especial e Educação Ambiental (EA), a partir de vivências com o ambiente natural, poder contribuir para o processo educacional das PcD da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Laguna/SC. Nesse ínterim, observamos se os alunos da instituição possuem oportunidades de interagir com os ambientes naturais, e com que frequência isso ocorre; reconhecer como se dá, durante as atividades propostas, a relação entre as PcD e os ambientes naturais; observar se há influência dos ambientes naturais sobre o processo formativo das PcD; interpretar os resultados que essa interação proporciona às PcD por meio dos seus depoimentos e dos profissionais da APAE. A pesquisa é fenomenológica, pautada na Cartografia do Imaginário Satiana, cujos princípios sustentam-se a partir dos quatro elementos Bachelardianos (água, terra, fogo e ar) e da pesquisa participante. Houve a realização de atividades de EA junto às PcD em ambientes como um haras, na praia e nos Molhes da Barra em Laguna. A interpretação das informações foi desenvolvida no entrelaçar do observado e registrado durante as atividades de campo, das impressões/expressões durante as rodas de conversa com as PcD e dos dois instrutores e das impressões da pesquisadora. Dentre os encantamentos dos achados da pesquisa, vislumbramos o potencial sensibilizador do ambiente natural para a formação educativa das PcD, contribuindo, deste modo, para processos formativos mais afetivos e integrados, favorecendo para que tais espaços também sejam concebidos como matriz de inserção dos sujeitos na paisagem, e estes, protegidos/respeitados em sua totalidade. Além disso, reconhecemos a necessidade de processos formativos de professores especializados para a Educação Especial, haja vista as nuances que se desenharam ao longo do processo, dentre elas: reconhecer os saberes acumulados dos instrutores, motoristas, gestores, merendeiras, pais e pessoas da comunidade que se dispuserem a colaborar com o processo formativo dessas pessoas; buscar os saberes da área socioambiental e de EA, nas dimensões da episteme/práxis e axioma, necessários aos mecanismos e modos de atuação cotidiana intraclasse e no campo, visando à sustentabilidade socioambiental e a uma formação cidadã; incorporar na prática cotidiana junto às PcD processos educativos evidenciados e contemplados pelos instrutores, como o afeto, ética, respeito, comprometimento com o exercício da autonomia dos sujeitos, capacidade de escuta, companheirismo, amor; realizar atividades junto ao ambiente natural de forma intensiva, permitindo que as PcD vivam experiências de imersão nesses espaços; promover sempre a reflexão e diálogos sobre os espaços visitados/estudados no intuito de aproximar as PcD das questões socioambientais. Sonhei em atuar junto às PcD; hoje desejo ajudar a melhorar o processo formativo na vida dessas pessoas e vê-las felizes, imersas num ambiente de possibilidades e realizações. Acredito que os caminhos percorridos, aqui, possam contribuir.