Título

Formação de professores em ciências biológicas: significando a educação ambiental como inovação curricular

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Cecilia Santos de Oliveira
Nome do(a) orientador(a)
Marcia Serra Ferreira
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Nesta tese investigamos como a Educação Ambiental é construída discursivamente nos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Focalizamos os discursos de inovação curricular que regulam estas formações. No diálogo com Michel Foucault e seus interlocutores no campo do Currículo, Alfredo Veiga-Neto; Rosa Fischer; Thomas Popkewitz e Marcia Serra Ferreira, apostamos em uma abordagem discursiva para a História do Currículo e das Disciplinas, entendendo, que no currículo emergem inúmeras disputas por validar e hegemonizar determinados conhecimentos em detrimento de outros. Investigamos três cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas presentes na universidade. Neles, destacam-se seis disciplinas nomeadas como Educação Ambiental. Em uma perspectiva reflexiva sobre as políticas educacionais para a formação de professores no Brasil, identificamos que os cursos estudados encontram-se em diferentes momentos de reforma curricular, produzindo, significados em torno do tipo de professor que se deseja formar e em torno da ‘novidade’: Prática como Componente Curricular (PCC). Na análise de fontes diversificadas, compreendemos que esta prática vem sendo produzida por conhecimentos específicos, por conhecimentos pedagógicos e por conhecimentos práticos, voltados à instrumentação do professor; excluindo a Educação Ambiental desta dimensão. Assim, os cursos de licenciatura vêm produzindo outros processos inovadores. Entendemos, portanto, a inovação curricular como fabricada no binômio estabilidade/mudança, no qual a inserção de certas inovações não ocorre pelo apagamento daquilo que já exista. A Educação Ambiental como uma inovação curricular ocorre, no diálogo com diferentes tradições: as do próprio campo da Educação Ambiental, as da formação de professores, as da área educacional mais ampla e as tradições institucionais. Este diálogo permite evidenciar alguns discursos, como os que disputam e questionam o processo de disciplinarização da Educação Ambiental. Como principal regularidade discursiva, salienta-se a compreensão da Educação Ambiental como um campo, sua consolidação histórica e sua normatização, legitimados como um conhecimento específico da área. A adoção de uma perspectiva crítica, a emergência da ideia de prática, voltada à ações participativas, a não dissociação entre o ambiental e o social, os processos de subjetivação do professor e do educador ambiental, e a aproximação conflituosa com a Ciência Ecologia constituem formações discursivas que regulam a inserção da Educação Ambiental na Licenciatura em Ciências Biológicas. Argumentamos que é neste diálogo com as tradições que se produz a ‘novidade curricular’, permitindo, por exemplo, a inserção de temas como: gestão ambiental, conflitos e justiça ambiental, aproximações com a comunidade, relações entre Educação Ambiental e artes, especialmente com o cinema. Assumimos que tais enunciados acabam por significar visões de Educação Ambiental na Formação de Professores, através de regularidades discursivas produtoras de inovações. Defendemos, portanto, que um entendimento de tais regularidades propicia análises diferenciadas, que desacreditam de fixações essencializadas e investem em compreensões das relações entre saber e poder que constituem o social.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Modalidade: Regular