Título
A educação ambiental como âncora das relações sociais na comunidade de Barranco Alto/MT
Esta dissertação foi desenvolvida no âmbito da linha de pesquisa Movimentos Sociais, Política e Educação Popular do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O estudo tem por objetivo discutir a temática ambiental como âncora identitária mediadora das relações sociais na comunidade de Barranco Alto, localizada no município de Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso. A discussão proposta leva em conta os aspectos econômicos, as relações intracomunitárias, as condições ambientais e as peculiaridades da educação formal e informal lá desenvolvida. Este estudo analisa como os diferentes segmentos sociais percebem os assuntos ambientais, tidos como estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico da comunidade, identificando os principais mecanismos de interação social, as alianças e cooperações, bem como as tensões e conflitos. A dissertação está dividia em três seções. Na primeira é realizada a revisão bibliográfica que discute o processo de colonização em Mato Grosso e os impactos sobre as atuais comunidades ribeirinhas. A segunda retrata o processo de configuração da Comunidade Ribeirinha de Barranco Alto, ressaltando os efeitos da colonialidade sobre o seu modo de vida tradicional. Na terceira, apresentamos os resultados obtidos na pesquisa de campo com os membros dos seis diferentes atores sociais que formam a comunidade de Barranco Alto: os antigos moradores locais (ribeirinhos tradicionais); os proprietários de chácaras de lazer (moradores de finais de semana), as famílias de agricultores assentados (sem-terra), os operadores locais de turismo (donos de pousadas, de pesqueiros etc.); os representantes institucionais do poder público (Sema, Ibama, Polícia Ambiental, vereadores etc.) e os turistas (visitantes ocasionais e usuários do local para lazer e pesca esportiva). O método utilizado é de natureza etnográfica e diagnóstica, por possibilitar uma abordagem qualitativa baseada na interpretação da realidade local. Os dados de campo foram organizados por meio de entrevistas estruturadas e semiestruturadas, rodas de conversas, relatos, histórias de vida e observações diretas. Os resultados reunidos apontam que, com o passar do tempo, vem se intensificando os problemas socioambientais e interferindo na vida dos ribeirinhos. O poder público pouco dialoga com as comunidades ribeirinhas tradicionais e com os demais segmentos sociais. Para o fortalecimento das políticas públicas, com proposições e iniciativas relacionadas à preservação ambiental no coletivo, é preciso superar o modelo colonial permissivo e predatório e viabilizar o afloramento das identidades locais e de relações mais simétricas entre os diferentes segmentos sociais.