Título
Mobilização de atores sociais em rede: uma análise sobre a capacidade de organização da sociedade para enfrentamentos socioambientais
Os estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgiram em meio a questionamentos sobre o papel da ciência e o uso da tecnologia no âmbito da sociedade, sendo seu principal propósito o de elucidar teorias e métodos que abordam as relações existentes entre essas três vertentes. Uma das questões que mais gera preocupações na comunidade científica, e afeta a sociedade como um todo, refere-se aos problemas socioambientais, os quais vêm tomando proporções cada vez maiores ainda que haja dispositivos legais para amenizá-los. Nesse arranjo de relações intensas, envolvendo sociedade e meio ambiente, surge uma importante teoria do campo CTS que discute a influência mútua exercida por atores humanos e não humanos: a Teoria Ator-Rede, cujo precursor é Bruno Latour. Amparada por essa teoria e guiada por diretrizes de um programa de Educação Ambiental brasileiro, a presente pesquisa propõe a formação de uma rede de atores sociais para enfrentamento de desafios socioambientais em uma comunidade do município de Uberaba, localizado no Estado de Minas Gerais, Brasil, na qual a sociedade é convidada a refletir sobre sua realidade e a agir sobre questões relevantes que impactam seu meio ambiente. O principal objetivo deste estudo consistiu em caracterizar o protagonismo desses atores na condução das transformações desejadas, lançando olhar atento sobre a capacidade de organização da sociedade no decorrer dos enfrentamentos. Com base na metodologia de pesquisa-ação participante, as mediações em rede foram constituídas pelas etapas de diagnóstico, de mobilização social e de intervenção de campo, envolvendo comunidade, escolas, igrejas, universidades, cooperativas, poder público, entre outros agentes. Os resultados indicaram que apesar da sociedade ter potencial para superar os desafios socioambientais, ainda não consegue perenizar as transformações necessárias em razão de sua dependência de iniciativas do poder público que, por sua vez, não prioriza as ações coletivas e participativas voltadas para os enfrentamentos socioambientais. Ademais, outro agravante do cenário refere-se à educação ambiental, que se caracteriza em grande parte por ações pragmáticas, com pouco investimento em ações pautadas no pensamento crítico. Em vista disso, pode-se concluir que embora a sociedade tenha consciência dos desafios socioambientais sua capacidade de organização para enfrentá-los requer, de um lado, mais aprimoramento do diálogo entre os atores sociais e, de outro, processos educativos que contemplem contextualizações históricas acerca da crise socioambiental e estimulem o exercício do controle social.