Título

O esvoaçar de lembranças no pouso de lutas socioambientais de mulheres negras

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Cassia Fabiane dos Santos Souza
Nome do(a) orientador(a)
Michele Tomoko Sato
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2019
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Esta pesquisa faz parte do projeto “Rede Internacional de Pesquisadores em Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA - Fapemat)”, que assume 5 grandes metas investigativas em: i) justiça climática; ii) cultura das dimensões locais; iii) processos formativos; iv) comunicação e arte; v) políticas públicas. O projeto reconhece que embora as mudanças climáticas atinjam todos os habitantes da Terra, há grupos sociais em mais situações de vulnerabilidade. Assim, como objetivo de pesquisa, busquei conhecer as narrativas de vidas de 11 mulheres negras, que embora sejam professoras em sua maioria, atuam em diferentes setores sociais. Por meio da escuta sensível das narrativas, quis conhecer as formas de lutas étnico-raciais, e de que maneira a dimensão climática se associava a esta ação. Dito de outro modo, procurei interpretar os movimentos destas mulheres, e se a pauta climática era percebida em suas lutas, ou se inseriam nas suas práticas de vida de uma pedagogia cotidiana, que de forma explícita ou ainda velada, são aprendizagens à construção de sociedades sustentáveis. Adotando a epistemologia e a práxis de Gaston Bachelard e Michèle Sato, os elementos água, terra, fogo e ar são as metáforas que adensam a fenomenologia para apreciar de que maneira a Justiça Climática se inscrevia nas narrativas de 11 mulheres negras. Em suas histórias de injustiças, estas pessoas compreendem que a pauta racial é mais imediata em suas lutas, contudo, a dimensão ambiental é bastante percebida nos labirintos de suas vidas. Citam casos de Racismo Ambiental, percebem a água como elemento vital em seus cotidianos e reconhecem o valor da educação nos processos de construção de políticas públicas mais justas e inclusivas. Nas biografias destas mulheres, as dimensões da militância, de gênero, de raça, de ambiente e de educação são tintas que colorem o mesmo tecido pedagógico. São pinceis que se movimentam nas memórias pintando a cultura e a natureza em permanentes aprendizagens dentro e fora das escolas. Contudo, nas sociedades global e local, há ausência de informações científicas sobre Justiça Climática. Por isso, ousei emoldurar a tela investigativa participando de processos formativos em Mata Cavalo, quilombo de residência de duas entrevistadas. Com auxílio do artista Gildásio Jardim, evidencio os processos de formação como meios importantes de se comunicar o clima. Sustento a tese de que a Educação Ambiental consegue se inscrever nas vidas das pessoas, pintando telas que denunciam as injustiças das situações de vulnerabilidade climática, mas sobremaneira, são linguagens que anunciam um esperançar com formas, cores e texturas que possibilitam o relevo da vida.


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