Título
Justiça climática: “cantos” de resistência da deficiência visual
Este trabalho de tese faz parte da Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA), que agrega cinco países na rede de diálogos para estudar a crise climática com foco nos grupos sociais em situação de vulnerabilidade. Os estudos da REAJA, bem como do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) têm revelado que a crise do clima está invisibilizada, com pouca ou nenhuma informação científica que proteja a sociedade mato-grossense no caso de algum eminente desastre climático. Estes estudos aguçam e fazem emergir as motivações para a realização dessa pesquisa acerca da Justiça Climática e a inclusão das Pessoas com Deficiência Visual, especialmente porque muitas dessas pessoas estão em risco quando se trata de sua inclusão em mecanismos de antecipação de eventos climáticos; e nem mesmo o Governo e nem a sociedade civil está organizada para oferecer abrigo em caso de uma situação de eminente risco de desastre. Parto da premissa acadêmica que uma das funções da Educação Ambiental é religar e sentir (religare et sentire) as teias conectadas da Terra, desapercebidas no caos cotidiano da atual situação climática. O objetivo da pesquisa é compreender o campo da justiça climática e o contexto de vulnerabilidades, riscos de desastres socioambientais e táticas de resistência, sob a perspectiva inclusiva para as pessoas cegas e com baixa visão. Nesse percurso, interessou-me suas percepções sobre o ambiente, seus meios de cultura, a vivência nas escolas, o que compreendem sobre os riscos climáticos e como resistem no complexo enredo da inclusão social. Essas pessoas atuam no Instituto dos Cegos do Estado de Mato Grosso – ICEMAT, na Associação Mato-grossense dos Cegos – AMC, e no Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial – CASIES, em Cuiabá – Mato Grosso. A metodologia empregada tem regência da Cartografia do Imaginário Satiana, inspirada na fenomenologia dos quatro elementos Bachelardianos. Os resultados obtidos, principalmente pelo mapeamento das escolas e residências de Pessoas com Deficiência Visual, reforçaram a necessidade de educação e comunicação sobre a crise climática. No foco da pesquisa, a ampla formação merece o cuidado ao delineamento de perspectivas mais inclusivas nas instituições educacionais. Em âmbito maior, a pesquisa contribui para a construção de políticas públicas que considerem o fortalecimento da Educação Inclusiva, concernente aos sistemas de proteção das pessoas com deficiência, contra os desastres e riscos do colapso climático.