Título
Educação ambiental e agricultura familiar urbana em Juiz de Fora: para além da dicotomia campo-cidade
O presente trabalho procura investigar como as práticas agrícolas inseridas em
territórios urbanos localizados na Região Nordeste de Juiz de Fora, no entorno do
trecho da MG-353, constituídas de uma agricultura de base familiar, podem estar
associadas a estratégias de educação ambiental abordadas a partir de uma
perspectiva crítica, contra - hegemônica. Desse modo, busca-se identificar as
educabilidades presentes nesse fazer agrícola (como modo de vida) em meio urbano
e as possibilidades de enfrentamento que esses saberes/fazeres podem propiciar
diante do modelo insustentável de crescimento urbano contemporâneo, inclusive
baseado em relações rural-urbanas assimétricas e injustas. Essa proposta de
investigação surgiu da necessidade de visibilizar territórios e práticas agrícolas
inseridos no espaço urbano. Para tanto, foram feitos questionários e entrevistas aos
agricultores das unidades pesquisadas, analisados sob o método da Análise de
Conteúdo, o qual procurou, a partir da fala dos sujeitos de pesquisa, indícios que
revelassem um novo modo de ser/existir no urbano e suas implicações para o Campo
da Educação Ambiental. Como um objetivo central, norteador desse trabalho,
propõe-se investigar o modo de vida rural-urbano presente nas práticas dos
agricultores familiares dessa região da cidade, de forma a compreender como essas
práticas agrícolas, no espaço urbano, se constituem em dispositivos formativos em
educação ambiental, seja ela formal ou não formal. Essa pesquisa revelou dados com
os quais pôde-se constatar que as múltiplas educabilidades presentes nesse modo de
vida rural-urbano próprio das práticas de agricultura urbana, tende a um crescente
potencial de envolvimento do entorno, cujo território pode se desdobrar num elemento
educativo, no qual a área urbana de Juiz de Fora se proponha e se perceba uma
cidade educadora. Esse modo de vida rural-urbano, cujo metabolismo engendra
novas formas de apropriação do espaço pode ter muito a contribuir para o campo da
educação ambiental e para uma educação que se proponha mais dialógica e voltada
à sustentabilidade nos seus mais variados aspectos.